sexta-feira, junho 25, 2004

Sonho, deserto e fuga

Postado por Elisandro Borges

*O nome do personagem é fictício, mas tentei relatar na forma de um conto, o que aconteceu com um amigo meu ao atravessar a fronteira do México com os EUA.

“Corra! Não olhe para trás!” Ele deixou tudo o que tinha em mãos, jogou a garrafa d’água e a mochila fora, sem rumo, ele correu como nunca... Estava escuro e o deserto era muito vasto. Carlos era sinônimo de puro impulso naquela hora. O instinto de sobrevivência falou mais alto e suas pernas ganhavam chão sem fim. Não havia nada em seu coração, apenas medo e taquicardia. Os gritos de tormentos dos colegas ao redor o faziam disparar ainda mais. Salve-se quem puder. Esse era o lema. A polícia da fronteira estava escondida e surpreendeu o grupo a poucos passos do sonho americano. A travessia no deserto do México estava para chegar ao fim. No entanto, nada o fazia parar de correr. Tudo o que ele possuía agora era uma calça dilacerada e a camisa rasgada pelos arames farpados que esbarrou durante o caminho. Em seu bolso, apenas documentos, mais nada. Sua sorte fora entregue.

A poucos metros de sua frente, avistou um outro homem correndo em desespero. E por incrível que pareça, aquele era um dos coiotes que o guiaria mais tarde. Dessa vez, Carlos foi o escolhido, ele finalmente alcançou o homem e pôde ter certeza de que era a pessoa certa. Dali para frente, sua alternativa era tentar encontrar forças para continuar. O sol começou a clarear o deserto. Não havia mais ninguém por perto. Nesse momento, o maior inimigo era o calor causticante. Areia por todos os lados, cansaço, sede, desesperança... Sem contato algum com o mundo, ele seguia em frente buscando um sinal de vida. Suas energias eram injustamente desproporcionais ao espaço que ainda faltava percorrer.

O seu organismo não tinha líquido sequer para uma lágrima. Ele já estava quase que implorando a Deus para ser pego pelos policiais, pois ao menos assim teria água para beber. Foram horas a fio de muita luta e sofrimento. Carlos conseguiu superar seus próprios limites. Sua fé o manteve vivo e a necessidade de atingir um norte em sua vida foi dominante. O coiote encontrou o caminho de volta e por um milagre atravessou aquele homem de 32 anos. Hoje, Carlos pisa em terras menos inóspitas e é supervisor em uma central telefônica na qual trabalho, em San Francisco, Ca. Exemplo de força, perseverança e humildade. Um ideal levado às últimas conseqüências.

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domingo, junho 20, 2004

Vivendo da luz!

Postado por Elisandro Borges

Você não precisa comer, não precisa beber nada, simplesmente olhe para o sol durante a manhã por alguns segundos e será o suficiente. Pasmem, pelo menos muita gente alega viver assim, alimentando-se apenas da luz do sol. A escritora e metafísica Evelyn Levy, é um desses milhares de seres hu (Deus) manos (homem) espalhados pelo mundo. Em 2001, foi entrevistada por Jô Soares e deixou muitos sem rumo de casa depois do que viram. Quando vi a matéria na época, meus olhos foram completamente abduzidos pelo assunto. Mal pude respirar, não podia piscar, pois cada milésimo de segundo era precioso. Para saber mais, é só clicar na imagem. Claro, por favor, me falem o que vcs acham disso tudo. Valeu!!!

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terça-feira, junho 15, 2004

Suposições de uma vida real

Postado por Elisandro Borges

Fotos em minha mente. É, só mesmo em minha mente, porque fisicamente tenho poucas e as poucas que tenho, ficaram em Goiânia. Quase todos os meus amigos e parentes me pedem fotos, pois a distância que nos separa é cruel e no momento, a única forma de manter a lembrança bem viva é através de fotos. O grande empecilho é a minha própria limitação. Desde que me mudei para a Califórnia e fiquei longe de todas as pessoas que amo, tenho me tornado um pedaço de ser humano largado ao acaso. Não piso lá fora, a não ser para ir trabalhar e voltar pra casa.

Não freqüento lugares turísticos, não tiro fotos e com a cara ruborescida, confesso: mal sei o que é um cinema por aqui. Não comprei televisão, video ou qualquer coisa do gênero. Filme, só no lap top, mais nada. O mundo pra mim agora se restringe a um quarto, fico trancafiado nesse espaço e só saio por extrema necessidade. Pra falar a verdade, a única vez em que saí neste ano, foi para ver um show da Dido em Berkeley, ou seja, uma extrema necessidade pra quem não vive sem música. O lado positivo disso, é que tenho estado em contato intenso com a leitura e a escrita, tenho conhecido muita gente boa nesse mundo virtual, fiz e tenho feito muitas amizades nesse sentido. Isso é importante, é quase que insubstituível!

No entanto, acabo esbarrando nas fotos. Quando me pedem uma mísera fotinha, o que tenho a oferecer é apenas aquela solitária que tirei com minhas próprias mãos dentro de casa. Já implorei para os amigos me mandarem as fotos que eu tinha com eles por e-mal e cheguei a ajoelhar virtualmente para a minha prima desnaturada Aline, mas ninguém se sensibiliza com o cara. Eu quero fotos, quero lembranças, quero formas e preciso acreditar que a vida lá fora ainda é como eu imaginava... REAL.

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sábado, junho 12, 2004

Dia dos namorados?

Postado por Elisandro Borges

Que mané dia dos namorados que nada! Eu já estava me esquecendo desse dia, ainda bem que peguei um restinho da noite do dia 12 pra mencionar o dito. "Mim estar" sozinho, "mim não ter" nenhuma mãozinha pra fazer um cafuné. Esqueceu, agora sou um mendigo do amor também. As mendigas, pelo que eu saiba, estão meio abandonadas, catando o que aparece pela frente, caso contrário não fariam jus ao nome. Pelo menos isso essas mulheres fazem, porque na situação deplorável em que me encontro, nem beijar na boca não sei mais o que é. Mas não é preciso estar sozinho pra estar carente, vai, confessa, cada um de nós tem um quinhão dessa penúria. Tudo bem, para as que estão namorando, como a Pri Albuquerque, a Maitê, A Bia Biovoar (vou fingir que o Zé é seu namorado), a Carolzinha de Guarulhos, a "abrobrinha" da Laura lá do Japão, a poderosa Isis, minha irmã Rosilane... Ah, tá bom, minha memória não é tão boa assim, vai relevando. Em suma, feliz dia triste e atrasado dos namorados! E força para os indigentes filiados!

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quarta-feira, junho 09, 2004

Imagens e promessas

Postado por Elisandro Borges

Não gosto de fazer drama da minha vida, prefiro suavizar o que me pesa. Prefiro tentar entender, mas não consigo. Não tenho me esforçado o suficiente para o meu crescimento. Entreguei ao mundo minhas promessas impulsivas que a necessidade me impôs na fase adulta - essa fase vitalícia de adolescente que veda seus olhos nas horas difíceis, para assim não ver as úlceras do mundo. São promessas que fiz para mim mesmo. Promessas simples de que algum dia buscarei algo que me puxe para frente. Num barco a deriva, quem está perdido agora sou eu. Mas vou tocando ele, ainda restam alguns mantimentos no porão. O estoque é bastante limitado, no entanto espero durar até que eu alcance o próximo porto.

Tenho também imagens de promessas que me fizeram na infância, as quais continuam bem guardadas. Várias promessas. Quando se é criança, ouve-se muitas delas. É frustrante para a miniatura de um ser humano descobrir que papai Noel nunca passou de uma farsa e que a mesma foi enganada por todo esse tempo. Foram presentes derivados de uma imagem sabotada, ainda que com intenção genuína de nos agradar. Desde pequenos, aprendemos a sentir a frustração em suas diversas caras. A maioria de nossos pais até que tentou evitá-las, mas sempre chega a hora de enxergarmos o dever que nos pertence, a hora em que tomamos uma atitude e partimos pra labuta, pois sem querer ser redundante em tudo o que falo e já sendo, mais uma vez algo é preciso ser feito...


Ouça em alto e bom som: The Coors – Only when I sleep

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Frase idiota da vez:

Postado por Elisandro Borges

A frase era tão idiota que foi deletada...

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sexta-feira, junho 04, 2004

Eu não sou cachorro não!

Postado por Elisandro Borges

Vem cá, vamos falar de traição. Antes de qualquer coisa, deixa eu expulsar os bichos que estão aqui dentro e de antemão aviso: ESTE TEXTO CONTÉM FRASES EXPLÍCITAS E PALAVRAS DE BAIXO CALÃO. Vou ser curto e grosso, mais grosso do que curto. Odeio essa puta! Podre e fétida ao cubo! Acho a maior falsidade do mundo trair alguém! Tudo bem que a carne é fraca, mas se você não consegue segurar a pixirica, ou o bastonete endiabrado, que não arrume nenhum compromisso então. Não falo só de sexo, um simples beijo já é o bastante pra por tudo por água abaixo. Eu sou careta sim, e sempre terei a honra de ser!!! Quero deixar isso bem claro, e não vou medir palavras, não vou reprimir a indignação que corre solta em minhas veias. Será que é realmente engraçado enganar alguém, é divertido? Me conta!

Tenho que esfriar a cabeça, ou melhor, as cabeças. Só de tocar nesse assunto, já me dá nos nervos! Mas é algo que vou ter que me acostumar ou simplesmente terei que evitar qualquer tentativa de relacionamento. Existe gente fiel nesse mundo, sei que existe. O foda é que não há critério ou qualquer espécie de padrão pra esse caso. Não adianta eu procurar uma mulher feia e destruída, porque as feias também traem. Já pensei em investir nas religiosas, mas vi muita gente ganhando bíblia de presente e ainda de lambuja, um belo par de cones salientes. Talvez essas pessoas estejam escrevendo certo por linhas tortas, devem estar tentando nos mostrar que o perdão é a última cura para o século XXI. Perdão o caralho! “Ai, somos seres humanos, todos cometemos erros”. Cansei de ouvir isso e parafraseando meu amigo Geraldo: vai cagar no mato! E ainda tem uma amiga minha que diz que é melhor dividir uma lagosta suculenta com os amigos, do que comer sardinha na cumplicidade da solidão. Pelo amor de Deus, né Rubia, me poupa o cabeção!

Infidelidade não é circunstância, é inconstância de caráter e em algumas pessoas, chega a ser um hábito, um passatempo. Vejo muita gente rindo e espalhando o crime aos amigos como se fosse um troféu. Não acredito muito em pureza, nunca conheci uma mulher sequer que não tenha traído ao menos uma vez. Acho que os homens são piores ainda, mas por incrível que pareça, conheço um ou dois que nunca cometeram tamanha desfeita. Amo minhas amigas, meus amigos e minha família, não odeio as pessoas que traem, mas não aprovo, nunca aprovei, jamais aprovarei e continuarei batendo o pé. São 25 anos até agora, e se Deus quiser, terei muito tempo pela frente. Estou ciente de que nossas opiniões mudam com essa coleção de datas, mas o sentimento que tenho é quase um estilo de vida, é um ideal e luto com forças das quais mal posso entender de onde vêm. Sei que estou nadando contra a maré, e se assim for, que eu me canse só na hora da morte!


Depois de tomar umas cangibrinas, disfarce, certifique-se de que você é a única pessoa a ocupar o recinto, aí assim, finalmente ouça em alto e bom som:

Waldick Soriano - Eu não sou cachorro não

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Frase brilhante da vez:

Postado por Elisandro Borges

"Malandro é o pato, que já nasce com os dedos colados pra não usar aliança!"

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terça-feira, maio 25, 2004

Descompasso

Postado por Elisandro Borges

Esses são dias em branco. O que anda acontecendo com esse menino? Ele não sai mais pra brincar com os colegas de rua. Percebi que anda meio apático. Aqueles brinquedos estão todos abandonados pelo quarto e acho que desde que caiu do carrinho de rolimã, perdeu a vontade de brincar. Tenho tentado puxar conversa com o garoto, mas ele não quer saber de papo. O mocinho se trancou no quarto e nem televisão assiste mais com seus pais. Pedrinho sempre foi muito ativo, agitado, correndo pela casa e deixando um rastro de bagunça por onde quer que passasse. Esses são seus dias em branco. Dias em que o coração gela em silêncio cúmplice.

Procurei entender o que havia de errado com o seu mundo e descobri que não era o tombo que tinha levado do carrinho de rolimã. Foi uma queda sim, porém em proporções diferentes. Acabei encontrando uma carta escondida debaixo do travesseiro. Era de uma menina, da Clarinha. Seus pais estavam se mudando para outro país e não sobrou outra escolha. Ela teve que partir com eles. O amor nunca teve idade, ele também sabe ser precoce e dessa vez resolveu escolher duas pessoas em horas impróprias. Era a hora errada e ele errou mais uma vez. Será quem foi que errou? O tempo? Pedrinho? Os pais de Clarinha? Nenhuma justificativa ou qualquer palavra de consolo poderia tirar aquele aperto.

No fim da tarde, quando o sol começou a se pôr, voltou pra casa, sabe-se lá de onde e assim foi direto para o seu quarto. Lá ele ficou por horas, horas a fio. Sua mãe batia na porta e perguntava se estava tudo bem. Resposta? Nenhuma. Nada. Só mesmo a incerteza de Pedrinho quanto ao dia de amanhã e a dúvida ansiosa da mãe.

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segunda-feira, maio 24, 2004

Essa não é nenhuma novidade. O que digo agora pode até virar passado, mas o que passou acaba ficando e ainda carrego a imagem, a memória, a sensação... Não sou muito de ficar confessando coisas minuciosas dessa vida ligeiramente centrada em um único nariz – o meu próprio, mas prometo que vou tentar ser discreto.

Esse mundo de celibatário tá me deixando mais louco do que normalmente costumavam me conhecer. Não consigo parar de pensar nos trinta. Sei que ainda faltam mais ou menos quatro anos e meio, mas não estou sendo capaz de digerir o tempo que invade goela abaixo. Vejo minha sobrinha completando cinco anos e meus cabelos ainda continuam a cair. Minha cabeça mudou e minha opinião não sustenta mais o mesmo pensamento.

Vivo tentando criar um propósito novo, um objetivo que possa me manter em algum rumo, e mesmo não sabendo bem ao certo pra onde ir, não posso me dar ao luxo de parar. Essa corrida por dinheiro estressa qualquer aspirante a cidadão. Penso em ter filhos, talvez quem sabe, daqui a uns dez anos. Ao mesmo tempo em que penso isso, percebo o sofrimento que fiz meus pais passarem por minha causa. Tudo bem, não foi em vão. Existe sempre uma versão positiva pra essas coisas, até mesmo para o caos.

Resumindo, estou procurando ser feliz com o quinhão que ainda me resta e que assim há de me restar. Essa é a idéia. Dinheiro? É possível. Esquecer as pessoas que marcaram a minha vida? Isso não. É até covardia, um ultraje, uma afronta ao meu passado. Então deixa assim, enquanto o presente recomeça a cada segundo, vamos ver quem é que aparece da próxima vez...



Ouça em alto e bom som: Wallflowers - How good it can get

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Feche os olhos

Postado por Elisandro Borges

É estranho tentar abrir os olhos enquanto eles forçam para serem fechados ou até mesmo dizer qualquer coisa que se passa por aqui sem permissão e com um grau exacerbado de intolerância. Estou passando as noites em claro mais uma vez num divã sem precedentes.

Esse, por incrível que pareça, diz a verdade em tons de subserviência.
O rumo que esses pensamentos me levam ainda não permite premeditar as próximas estações. Elas são aleatórias em suas escolhas. De mudanças em mudanças vou colhendo fragmentos de contentamento e assim satisfaço o pouco que me sobra em acomodações ociosas do tempo.
Esses espaços em que me encontro por entre letras e sons dispersos deixam resquícios de indisciplina.

A lei do menor esforço é quase que onipotente e sua ação parece entorpecer em overdoses as lentes pelas quais enxergo o mundo.
É preciso lutar contra a decadência dos dias que nos fazem seres menos humanos. Os ponteiros giram implacavelmente.
A gravidade não perdoa a elasticidade da pele, mas também não tem o poder de anular as evidências de uma mente em expansão.
Desafios involuntários nos acertam em cheio nos supostos acasos que nos acometem em dias incertos.
Onde estão aqueles pés descalços que não encontram chão macio? E esse rosto desguarnecido que insiste em dar de cara com a intransigência?

Não foi nenhum homem velho que lhe aconselhou desde que você percebeu pela primeira vez os cinco sentidos.
A sua própria consciência urra em sequências desconexas nos sonhos em que lhe visita.
Sua comunicação interna pede socorro, ela encarecidamente implora por um norte.
Sua forma linear de compreender os fatos lhe cega o mais simples do bom-senso.
As paredes fechadas e janelas cobertas não deixam o sol entrar em suas devidas proporções.
Pode fechar os olhos agora.
Você já viu tudo o que foi permitido, inclusive o que não lhe competia tal interesse particular.
Feche os olhos.

Agora sim vai poder enxergar de verdade...



Ouça em alto e bom som: Portishead - Roads

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É assim...

Postado por Elisandro Borges

Aprendi que basicamente supomos muitas coisas e assim tentamos acreditar em nossas suposições. Aprendi que é preciso podar um pensamento negativo, pois ele prolifera-se em proporções imensuráveis. Aprendi que quando a gente corta, sangra... E que algumas pessoas são diferentes, outras indiferentes. Aprendi que se a gente não se cuidar, dificilmente o mundo vai se mover voluntariamente em nossos passos. Aprendi que se descobre verdadeiros amigos e que essa é uma questão de intuição e ponderação de julgamentos. Aprendi que em certas horas é necessário ter a memória curta, pois assim fica mais fácil perdoar.

Continuo aprendendo que minha estupidez é motivo de reflexão e que dessa forma eu posso entender melhor a estupidez dos outros. Aprendi que as almas nem sempre se topam, que nem todos vão com a sua cara, mas que existe um jeito para quase tudo. Sei que não basta dizer o que se pensa, e que é oportuno pensar antes no que dizer para não ter que digerir conseqüências intragáveis. Sei que muitas de nossas palavras não são verdadeiramente nossas, ainda assim, quando fazemos dessas uma atitude, encontramos um estilo de viver que se torna particularidade, embora a mesma confunde-se em semelhanças alheias.

Sei que não quero parar, mas de vez em quando é preciso sim, olhar para trás e tentar entender o que está acontecendo agora. Não consigo predizer o futuro e tenho falhado em muitas de minhas hipóteses, por isso é apropriado construir uma base mais sólida em nossa volta, base essa que seja capaz de suportar eventuais turbulências.

É engraçado, mas não adianta. Não adianta fechar as portas, de um jeito ou de outro, por mais fechadas que essas estejam, a poeira sempre acaba entrando e a única alternativa é continuar limpando essa sujeira. Esse não é o caso, o problema é deixá-la acumular na cabecinha enclausurada. Aprendi também que as palavras rebuscadas não surtem efeito quando colocadas ao esmo. Aprendi que a simplicidade é o melhor anti-sensacionalismo para os nossos medos arraigados. Pra quê complicar as coisas e colocar dificuldade em tudo? É assim. Complicado demais para entender que focinho de porco nunca foi tomada...


Ouça em alto e bom som: A Perfect Circle - The Outsider

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Poder

Postado por Elisandro Borges

Impublicável foi e tem sido. Sem essa de que vou censurar os meus instintos. Colocá-los no papel não vai ferir ninguém e eles não deveriam afetar aquela mania de pudor a cada capricho sobre medida. Tem tempo que não digo o que penso. Contenho a opinião e o silêncio guarda o impulso. É proibido pensar alto, suas idéias estão chegando a ouvidos estranhos e elas incomodam a ponto de interferir no ar em que respiram.

Verdades absolutas não deixam espaço para qualquer tentativa de contra-argumento. Silêncio mais uma vez. Uma voz se cala. O excesso de poder o faz menos humano e turva suas decisões antes consideradas democráticas. Poder. Ao que te pertence, sinta essa força, mas não passe por cima de ninguém. Detalhe, a vida costuma passear por entre a gente e pessoas se encontram lá na frente. Paciência com os que não entendem a sua língua. Não maltrate e nem seja rude. Não quebre aquele prato, talvez precisará usá-lo em horas de pouca abundância.


Ouça em alto e bom som: Faith No More - Evidence

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On kô tô?

Postado por Elisandro Borges

Livro, caderno, passaporte, relógio, tudo espalhado pelo chão. Na verdade eu não entro em meu quarto, eu mergulho de ponta e acabo me perdendo no meio de tanta bagunça proveniente de uma mente em pleno colapso. Impressionante! Já pensei até em por um trampolim aqui na porta. Tem até par de meias atrás da cortina. Aliás, elas não estão lá à toa. A intenção é fazer da janela um varal e assim não precisar ficar indo muito longe.

Morar "sozinho" tem desses improvisos, ainda mais em um país distante e tampouco familiar. Sem falar da comida. E a comida? Como é que fica? Bom, como cozinheiro tudo o que faço bem mesmo é um ovo mexido, uma beleza, pelo menos nunca reclamaram do cheiro, mas provar que é bom só eu mesmo pra correr o risco.

No entanto, desconsiderando a zona instalada pela pessoa que vos fala, o globo segue girando e graças à gravidade tenho conseguido manter os pés relativamente no chão, embora muitas vezes nem a gravidade é capaz de controlar a órbita em que gravito...



Ouça em alto e bom som: Damien Rice - Volcano

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Maré russa

Postado por Elisandro Borges

Nesse momento estou feliz, daqui a pouco vou estar triste, mas depois estarei feliz de novo, e depois triste, e depois feliz...

Isso tá parecendo brincadeira de “bem me quer”, “mal me quer”. Espero que a mesma termine em “bem me quer”, é claro. Essa constante oscilação entre altos e baixos é uma realidade praticamente imutável. Já ouviu falar em maré Russa? É exatamente isso que você tá pensando, é a mistura entre montanha russa e as marés que enchem e esvaziam o nosso território. Acho que o único e último ser inexoravelmente feliz é o bonecão do posto mesmo. Eu ia falar do pinóquio - aquele bicho de madeira ordinário e literalmente cara de pau, mas aí lembrei que na verdade ele é completamente frustrado por não ter virado gente, enquanto que o bonecão do posto não tá nem aí pra isso.

Sabe de uma coisa, já estou enjoado desse papo superficial de felicidade e de todos os textos ou cursos que tentam ensinar passo a passo com você os segredos de como ser um trequinho feliz, sem mencionar e já mencionando as diversas opções de pagamentos facilitados. Só falta irem receber em domicílio.

Não consigo mais ler manuais de autodestruição, ou melhor, de auto-ajuda. Hoje, qualquer migalha com o título: “Seja uma pessoa feliz em 10 dias e conquiste o seu próprio sucesso”, tem o poder de me dar dor de barriga, daquelas que nem elixir paregórico é capaz de curar. Acho podre qualquer tipo de clichê, se bem que às vezes me agracio com a infelicidade de ser o próprio em pessoa.

Em suma, nem mesmo os mais pragmáticos religiosos são felizes o tempo todo. Não adianta falarem que aquele vazio que sentimos é falta de Deus no coração, porque eles também são irmãos dos homens do mundo, e da mesma forma, sentem tristeza ou felicidade de acordo com o que vivem em cada situação. Chega de conversa. Deus nos fez seres humanos, e isso já é o bastante para responder quase todas as incógnitas a esse respeito...



Ouça em alto e bom som: Placebo - Where is my mind

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O simples fato de ser

Postado por Elisandro Borges

Ela não está em todos os lugares. Quase todos eles estão nela.
Ela não move um passo sequer até que um sopro de consciência lhe faça sentir a fome ególatra que suplica por saciedade. Essa fome deseja ser sufocada e não mais sentida. Ela pede para desvincular-se das amarras que a limitam.

Os bardos até que tentam agradá-la com palavras rebuscadas, mas em vão, apenas alimentam sua ingênua e contraditória auto-suficiência. Ela se debate contra seu próprio eu, busca alívio e soluça em lágrimas amargas. Já não assina mais o nome em seus versos. Não há mais a necessidade gritante de vitória ou o medo da derrota, há somente a simplicidade.

Há somente ela... Seja ela então, o que enternece o simples fato de ser.

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Epiderme

Postado por Elisandro Borges

Longe, muito longe do que eu poderia tocar e perceber o que era real. Acordei, mas fechei os olhos o mais rápido possível para tentar buscar aquele sonho interrompido. Já era, se apagou. Nada, absolutamente nada era capaz de trazer mais uma vez a sensação insubstituível.

Enquanto a voz macia me engolia por inteiro, eu me rendia sem saber o que estava acontecendo. Não existia cenário, não existia ninguém à nossa volta, e tudo o que se ouvia era a respiração ofegante em uníssono.

Epiderme... Éramos uma pele só.

Sua boca úmida e faminta deslizava sobre a carne pulsante. Um gosto de tequila e limão entorpecia o beijo em temperaturas incontroláveis. Irremediavelmente viciante. Não tive tempo de perguntar o nome dela. O seu rosto desapareceu no momento em que o sol transpassou a alcova de vidro.

E como sempre, amanheceu, simplesmente amanheceu...


Ouça em alto e bom som: Sevendust - Live again

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Que atirem os primeiros ovos

Postado por Elisandro Borges

Por mais remota que seja a possibilidade de encontrar uma explicação para o comportamento humano, volto a questionar essa necessidade quase que compulsiva de achar uma forma de expressar o que sinto. Às vezes falta assunto, mas a vontade de escrever não pára. Esse vulcão em plena erupção sem chamas me faz agonizar com tanta falta de inspiração. Preciso de conteúdo. Leio, leio e continuo lendo. Porém, ao fazer um balanço de tudo que tenho absorvido até o presente momento, percebo que tenho procurado as mesmas coisas de sempre. As fontes de tudo que aprendo continuam as mesmas. Não houve inovação. Aliás, tal palavra me soa um tanto quanto deslocada. Maçante isso, viu! Não vejo sentido nenhum em mascar o mesmo chiclete até perder o gosto e continuar esmagando aquela borracha interminável dentro da boca. É mais ou menos assim que funciona nossa mente preguiçosa, na hora de pensar, todo mundo quer dormir ou ir para o primeiro boteco pra falar “bestera” e rir da “doidera”(só pra rimar).

Nossa, como eu gostaria de ter o mínimo de interesse por política. O problema é que acho essas coisas um tédio completo acompanhado de bônus. Sei que precisamos estar informados sobre o que está acontecendo à nossa volta, mas simplesmente não dá pra ler um parágrafo sequer sobre qualquer assunto relacionado à POLÍTICA. Às vezes me arrisco a dar uma espiada meio às escuras nos sites afins, mas imediatamente perco o tesão. É por isso que as pessoas se juntam aos semelhantes. Tem coisa mais desconfortante do que estar na casa de alguém e de repente um estranho te abordar com a seguinte pergunta: “E aí, o quê você está achando da nossa política?”. Indubitavelmente, um buraco negro emanaria das profundezas do meu ser, caso algum cidadão manifestasse tamanha impertinência. Lembro-me daquele tipo de aniversário, daquele do amigo do primo de um conhecido da irmã de uma vizinha da avó do Antônio, que do nada resolve te convidar. E o pior é que, sem nada melhor pra fazer, você acaba arriscando a pele. Dá no que dá. Aquele tanto de gente estranha te faz sentir um astronauta pisando em terras inóspitas.

Podem me falar o que quiserem, mas minha opinião desinformada e boiante não faz questão de pegar as trouxas e se mudar daqui. Mas que política é um saco, não vacilo em dizer, é um porre!!! Simplesmente broxxxante. Eu achava que isso ia passar com a idade, mas já se foram dez anos desde que tive a primeira brilhante dedução. Ouvi falar também que isso tudo vai sarar quando eu casar. Façam as apostas então. Estarei torcendo por vocês, ou melhor, por minha risível compreensão da política que assola esse país. Não é possível que eu não sirva nem pra jogar ovo em político. Desprezível a indiferença do rapaz, desprezível!


Ouça em alto e bom som: Live - Run Away

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Recado 1

Postado por Elisandro Borges

Por mais que eu tente ser um homem humilde, um filho melhor, um amigo melhor, a vida sempre aparece no caminho e expõe as falhas que deixei para trás. Espero que se um dia eu deixar uma dessas falhas pelo caminho, que a vida apareça de novo em minha frente e me acorde em quanto há tempo. Compreensão nas horas de intolerância, paciência nas horas de ansiedade e força nas horas difíceis.


Ouça em alto e bom som: Incubus - The Warmth

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Sequestraram o Nesquick!!!

Postado por Elisandro Borges

Quem robou meu Nesquick?!! Isso é um sequestro psicológico muito grave! Não acredito que fuçaram em meu armário e tiraram ele de lá. O sacripanta que cometeu esse delito vai ter que aparecer por bem ou por mal! Só pode ser chantagem emocional, não tem cabimento. Será que não paguei o aluguel? Tá vendo o que dá morar de aluguel? Pessoas companheiras, conselho de amigo, trabalhem muito, o mais árduo possível, e quando puderem, não hesitem em comprar o próprio espaço, pelo menos não vão correr o mesmo risco que eu.

Para quem não conhece, os íntimos sabiamente me chamam de Zé do pão. Não vivo sem pão, mas sem Nesquick a vida é irrefutavelmente insípida. Simplesmente não dá pra ficar sem aquele gostinho de chocolate com leite que deleita na alma. É sério, bebo aquilo com a alma. Por sorte, terminei encontrando o cativeiro. Lá estava ele, escondido em condições completamente precárias. Não faço idéia, mas com uma proficiência de embasbacar qualquer perito em seqüestro, resgatei sagazmente minha felicidade confinada por alguns intermináveis segundos. Três colheres e um copo cheio de leite. Saudade que se mata em goles cavalares...


Ouça em alto e bom som, e recarregue os ânimos, por mais rastejante que seja qualquer segunda-feira: Jet - Are you gonna be my girl

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