sábado, janeiro 01, 2005
Postado por Elisandro Borges
Esse garotinho é alérgico à realidade. Vejam só o que ele fez com a camiseta. Vestiu ela do avesso e agora sai espalhando por aí que as pessoas o enxergam da mesma forma, como um pedaço esdrúxulo de tecido em seus equivocados modos de usar. Ele me disse que todos usam a camiseta com a estampa pra fora, e que se a parte de dentro está exposta, a rejeição é inevitável. Mas ele não dá bola, decidiu se adaptar ao mundo de sua forma, pois a realidade é estranha às vezes, e é assim que ele quer viver por esses dias.
Ouça em alto e bom som: Stabbing Westward - I Remember
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quinta-feira, dezembro 30, 2004
Postado por Elisandro Borges
Estou aprendendo a matar os meus demônios. Acordei mais uma vez durante o dia. Sim, durmo durante o dia, porque a noite não pode esperar. Demônios são clássicos em suas danças e querem nossos relicários. O mal é a face do bem que se distorce. Somos os dois lados. Matei mais um demônio. Estou me sentindo melhor. Meus demônios estão velhos e não são tão mais populares. Eles me libertam, porque morrem. Matei mais um demônio.
Ouça em alto e bom som: Nando Reis - Por Onde Andei
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segunda-feira, dezembro 27, 2004
Postado por Elisandro Borges
Você tem mais vinte minutos pra dormir. Quer dizer, agora na verdade são dez. É, realmente. Nem tinha reparado. Mas tudo bem, eu viro pro lado e quando o celular tocar, aperto o soneca, cê me entende? Aquele que te deixa dormir por mais dez minutos. Ah, sei. Pára de olhar no relógio! Desse jeito você não dorme nem dez minutos. E o que são dez minutos? Sei lá, só sei que dá moleza. Pra te ser sincero, nem tô dormindo. Tô escrevendo isso aqui. Ah, é? É. E por que os seus diálogos não têm travessão? Porque não mudei de personagem, ainda tô falando comigo mesmo. Entendi. Que bom, né? Que bom que você tem alguém assim tão íntimo pra trocar idéias e confissões. Eu sei, mas tem horas que nem dou valor a isso. Tem horas que não percebo quem eu sou, porque no fundo ando confuso com minha vida profissional. Ó, o celular tá despertando. Valeu, brigado. Já coloquei no soneca. Então são mais dez minutos? Isso, são mais dez minutos.
Ouça em alto e bom som: Marisa Monte - Diariamente
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sábado, dezembro 25, 2004
Postado por Elisandro Borges
Vou ter que parar um minuto. Vou ter que limpar tudo isso aqui e organizar as coisas que ainda estão faltando. Vou ter que parar um minuto. Não quero parar um minuto e ficar no meio do caminho. Não quero demorar em dúvidas. Aliás, elas acabaram de passar. Passei pelas dúvidas. Vou limpar esses cantos, preciso cumprir a minha parte, vou limpar esses cantos.
Ouça em alto e bom som: Pugna Puff - Não sei dizer
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quarta-feira, dezembro 22, 2004
Postado por Elisandro Borges
Eu leio vidas, não prometo interpretações acuradas. Vidas também são feitas para serem lidas. Penso em pessoas que disseram coisas importantes e às vezes chego a acreditar que por mais vaga que seja uma poesia, essa se faz mais certeira do que a própria política que nos desgoverna na nudez da ironia. Eu não sei o que dizer, não tenho o que dizer, mas não estou a fim de ficar calado. Quero ensinar meu filho a entender certas coisas, só que antes vou ter que aprender a entender poesia, porque pensar em fazer um filho já é outro porém.
Ainda assim, quero falar mal de alguém, o foda é que todos são seres umanos, desse jeito, sem h mesmo, pois qualquer um perde a cabeça um dia, por que não o h? É inconveniente falar mal do desconhecido. No entanto, continuo insistindo em falar mal de alguém. Provavelmente, julgar seria o caso. Julguei descomedidamente, tantas vezes que perdi a conta, já não sei mais contar. Julguei sim, julguei pessoas, sexualidade, raças, classes, cachorros... Taquei pedra em quem estava quieto, acertei até o seu zé do picolé.
Pensei que poderia entrar em conversas secundárias e expor os meus turbilhões de idéias às avessas. Idéias tão avessas que nem me dizem respeito. Aliás... Respeito. Interessante essa palavra. Enquanto isso, nossos pés querem ser beijados na ausência desse mito. Que aceitem nossas teorias conspiratórias sobre o que nem sabemos dizer. Todos, quase todos estão mudando o mundo. Tem gente que muda de lugar, esquenta um assento e muda um mundo. Em qual sentido, não sei bem ao certo. Certo... Não, é relativo. E isso é inevitável. Não sei dizer, eu não sei o que dizer.
Ouça em alto e bom som: Social Distortion - Reach For The Sky
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sexta-feira, dezembro 17, 2004
Postado por Elisandro Borges
O ano está aí, acabando. Sensação de que por mais árduo que possa ter sido, fantasmas foram exorcizados, e uma vida se recomeça ano que vem, em cores diversas. Com o ano novo, vem também a percepção de que o nosso ritmo é dividido em pequenas parcelas, assim, todo marcado em pedaços dispersos pelo calendário impostergável. Os dias estão todos cravados nele, com direito a feriados costumazes, ainda que insignificante para alguns, para outros um motivo a mais pra burlar tédios de rotinas ociosas. Provavelmente muitos fizeram divãs-amigos e amigos-divãs durante esse tempo, e sendo suave nas palavras, eventuais "desamigos" também.
Recados importantes foram esquecidos e extraviados em algum canto longínquo de nossas memórias. Tudo bem, é geralmente assim que levamos os nossos dias. Quando perguntam se estamos bem, dizemos que sim, não pensamos antes de responder, independente do que realmente se passa na omissão da intimidade. A premissa é: estar bem, talvez com alguém, quem sabe até mesmo na introspecção de uma solidão rasa. Que essa solidão seja apenas rasa então. Que seja de leve. Estar bem, por mais que pedras danifiquem os bonsais mais velhos de nosso jardim, a hora oportuna de viver coisas boas sempre chega. Anos novos são iguais em seus detalhes diferentes. Pessoas são iguais em suas diferenças particulares.
Como de praxe, a história que se formará lá na frente, terá brigas, tréguas, guerras e amores. Vamos ter as mesmas coisas de sempre. Vamos chegar atrasados em encontros, beijar muito na boca, vamos transar num daqueles moteis desconhecidos entre becos e esquinas. Vamos fazer churrascos e convidar nosso melhor amigo vegetariano. Façamos graça. Façam ou desfaçam apologias. Alcoolizem-se, convertam-se em padres ou freiras, percam o juízo na responsabilidade de si próprio, e se não for exigir muito esforço, olhe no olhos quando cumprimentar alguém. Seja brega, cafona, perca a postura de professores. Seja fino em modos prudentes, mas não esqueça de dizer foda-se de vez em quando também. Seja tranqüilo em ser. Não seja. Seja perfeitamente humano em suas imperfeições. Não esquentem muito a cabeça com os padrões, filtrem os conselhos, e depois que tudo passar, por favor, joguem o lixo da cozinha fora.
Ouça em alto e bom som: Morphine - A Head With Wings
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quarta-feira, dezembro 15, 2004
Postado por Elisandro Borges
Tive um sonho essa noite. Sonhei que eu entrava em um supermercado enorme, mas quando via esse pelo lado de dentro, estava tudo deserto, vazio. Eu me sentia desolado. Não havia pessoas, não havia nada. Salvo o canto direito, que ainda existia uma mercearia bem pequena com um único funcionário. Eu também escutava a voz de um cara que eu não conseguia ver, e esse cara me explicava o porquê de todo aquele vazio, mas o restante do sonho são apenas brancos em minha memória. Não consigo me lembrar de mais nada além daquele rombo. Às vezes acho que o nosso subconsciente gosta de brincar com nossos sonhos em metáforas.
Ouça em alto e bom som: Fuel - Falls On Me
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terça-feira, dezembro 14, 2004
Postado por Elisandro Borges
Ser bom nem sempre é uma boa idéia. O indivíduo bom é geralmente um ser passivo e facilmente manipulável. Todo bonzinho no final acaba levando no cuzinho, nem que seja apenas pra ser bonzinho. Às vezes o bonzinho acha que rimar é uma arte generalizada e altamente altruísta, então ele decide que levar no cuzinho é ser bonzinho. Poeta de cabeceira, já acorda rimando: "quero ser bonzinho, nem que seja pra levar no cuzinho". Todo bonzinho é um poeta nato, pois rima sem fazer esforços. Gostamos muito dos bonzinhos, daqueles que não sabem dizer "não" e estão sempre prontos em seus devidos postos para servirem os mais dispendiosos caprichos alheios, custe o que custar.
Os "espertos" ficam ofendidos se outros discorrem um "não" em suas caras lavadas de segundas intenções. O bonzinho acha que dizer "sim" indiscriminavelmente, pode abrir suas portas em um futuro próximo, mas não consegue perceber que determinados sangue-sugas querem na verdade é abrir as portas dos fundos do nosso tão solicitado bonzinho. Rentável, venderemos bonzinhos com cuzinhos de fácil acesso para amostras grátis em feiras livres, afinal, quem é que não quer levar um desses pra casa?
Ouça em alto e bom som: P.O.D. - Boom
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segunda-feira, dezembro 13, 2004
Postado por Elisandro Borges
Os pés estão frios. Esconda debaixo desse cobertor, mas os pés continuam frios. Agora já está tudo quente em volta, e os pés, frios, eles estão frios, não só frios, secos também. Estão maltratados e esquecidos. Ficam guardados o tempo todo da luz do sol, eles não vêem a luz do sol. Respiram o ar confinado, não sobra espaço para os poros. É, os poros. Não respiram durante quase todo o tempo. Quando saem, sentem frio, eles estão frios. São apenas pés frios, de pessoas frias.
Ouça em alto e bom som: Drowning Pool - Tear Away
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sexta-feira, dezembro 10, 2004
Postado por Elisandro Borges
Escrevo de caneta naquele papel improvisado, e pra variar, a tinta falha e minha caligrafia cambaleante vacila em revelar a insegurança de um pré-adolescente ensaiando falas de adulto. Escrevo deitado mesmo, porque se levanto, perco as idéias. Fico tentando sonhar de pé, mas funciono melhor na horizontal, onde meus olhos fechados enxergam mais de perto a vida dando voltas por entre essas divagações. E foi assim, exatamente dessa forma que descobri o amor de volta. Foi divagando sem pressa mesmo.
Quando não soube o que dizer, apenas cumprimentei sem maiores pretenções em princípios de conversa. Acontece que princípios de conversa podem ser princípios de histórias também. Estou feliz agora. Mesmo afirmando que sou feliz em temporadas, mesmo sabendo que os dias são feitos de surpresas - agradáveis ou ruins - aceito a pausa, tento entender as entrelinhas. Vago... Vago são esses pensamentos de caras amassadas, justamente assim como quem acaba de acordar.
Não quero construir castelos de areias, eles são frágeis por demais. Não quero ver a água levando esses caprichos. Chega de comparações baratas, porque pessoas de verdade são caras. Quero manter as pessoas reais, ainda que virtuais, bem perto de mim. Repito: pessoas de verdade são caras. Todo esforço é pouco, porque mais uma vez, pessoas de verdade são caras.
Ouça em alto e bom som:
Staind - Faded
(download aqui)
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quarta-feira, dezembro 08, 2004
Postado por Elisandro Borges
Hoje é meu aniversário! Parabéns pra mim! Ih, esqueci de colocar a música aqui, depois eu coloco.
Fui com gosto de gás!
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sexta-feira, dezembro 03, 2004
Postado por Elisandro Borges
Ela continua deslizando por entre as frestas, é, falo da mesma música. Acompanha minha respiração e esconde as horas de mim. Ela é intocável. Não tem lábios, sexo ou formas, mas é imortal. Perguntei o que faria se um dia não pudesse mais sentir aquele sopro calmo em meus ouvidos. Perguntei também se a levaria comigo pra qualquer lugar, qualquer um desses lugares que se tira a mochila das costas, só pra descansar debaixo da primeira sombra. Não sei até quando vou poder ficar andando por esses lados. Percebi alguém dizendo que o mundo era feio, só que isso nem de longe me afeta a memória. Acredito sim, ainda me recordo de coisas bonitas por aqui.
Ouça em alto e bom som:
John Mayer - Daughters
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terça-feira, novembro 30, 2004
Postado por Elisandro Borges
Leve minhas dúvidas, leve o meu orgulho, a indisciplina que me desvirtua. Leve minha impaciência, minha ansiedade, o egoísmo que me isola. Leve tudo que me traz o atraso, leve a preguiça que se arrasta por esses cantos. Leve a raiva, a estupidez, acabe com essa arrogância que me consome. Leve embora, e que os desentendimentos se apaguem em faltas de memórias.
Leve, por nada mais, Leve.
Ouça em alto e bom som:
P.O.D. - Alive
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domingo, novembro 28, 2004
Postado por Elisandro Borges
Quando você chora traz alívio, desabafa as dores do mundo. As dores não são suas, são dores do mundo e essas já foram mencionadas por outros. O que te aperta no mais íntimo, são dores do mundo. Cabem perfeitamente no vazio, pois é vazio sem fim em buscas desordenadas. Fica no ar de poesias mudas e desconexas. Você descobriu o amor, e apesar dele parecer não curar a sua dor, continua soprando a ferida. Você encontra no amor uma salvação. Que te traz prazer, que te faz desviar a atenção dos bombardeios. E esse amor te amortece a queda, porque é preciso levantar. Depois de tantas turbulências, você ainda consegue amar e aos poucos repõe o equilíbrio. Andam testando a sua fé por lhe deixarem tão desolada. Andam colocando em prova sua força sob pressões descabidas. E você agüenta. Porque é forte o bastante. Porque sabe amar. Amanhã é outro dia, são recomeços diferentes. Te desejo um sono reparador. Te desejo paz. E não consigo esconder o quanto te amo, assim, perdidamente.
Ouça em alto e bom som:
Maroon 5 - Rag Doll
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terça-feira, novembro 23, 2004
Postado por Elisandro Borges
Direi palavras impronunciáveis. Daquelas que quando escritas no papel você não consegue nem ao menos passar os olhos, pois acaba se perdendo e tropeçando nas letras. Direi também o que os ouvidos deles querem ouvir. Tanto faz pra mim dessa vez, desde que eu me livre dos doadores de palpites não solicitados ou dos consultores-volutariamente-indesejáveis-de-vidas-alheias. O que mais pega nessa história toda é que, tirando o amor que eu sempre quis na vida e que agora ostento a sorte de vivê-lo com a Carol, tudo o que mais tenho tentado conquistar em minha hulmide e tão suada vida, é um pouquinho mais de paz-de-espírito. Que não tentem controlar a minha vida pessoal, pois até onde me concerne o bom senso, a palavra pessoal traz a idéia de privacidade, de limite, de área restrita.
O meu único problema é que demoro demais a digerir o que me é expelido ouvido a dentro. Demoro também a reagir quando intrusos invadem minha propriedade e acabo fazendo o que eles querem: dou satisfação demais e detalhes completamente desnecessários que só competem a mim. Espero que da próxima vez eu não desperdice tanto tempo assim tentando dar explicações sobre o que faço do meu dinheiro, sobre a marca da cueca que uso ou se ando pelado com uma melancia na cabeça em pleno McDonald's. Chega dos cães nojentos que ladram em meu quintal. Que visitem outras vizinhanças bem remotas, antes que seja tarde demais, antes que eu possa sequer ter a oportunidade de descobrir o meu lado mais obscuro: o psicopata que degola cabeças de consultores-voluntariamente-indesejáveis-de-vidas-alheias.
Ouça em alto e bom som:
Falling up - Broken Heart
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segunda-feira, novembro 22, 2004
Postado por Elisandro Borges
Por todos os lados, por todos os vínculos.
Qualquer coisa que faça unir duas partes, tatos e gostos.
Sentir é a primeira e última ordem.
E o lugar é esse, sopra de leve as folhas do nosso chão.
Imagine o que são dois,
Mora aqui dentro a vontade que te traz pra perto.
Faça lembrar as boas novas, fica então tudo o que vale.
A corrida até a porta do metrô foi pra te encontrar a qualquer custo,
E o frio até que passava por perto,
Mas nada podia sugar o calor que espalhava em meu peito.
Parem as ruas. Por todos os lados, por todos os vínculos.
Ouça em alto e bom som:
Dave Matthews Band - I'll back you up
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quinta-feira, novembro 18, 2004
Postado por Elisandro Borges
Ainda me lembro que por mais confuso que eu possa ter sido um dia, uma hora acabei me encontrando. Confuso no sentido de que todos os medos que rondaram por aqui, eram em grande parte só imagens distorcidas da realidade em que eu acreditava viver. E a origem desse meu medo específico, partia quase sempre do apego, essa sensação inevitável de dependência emocional. Queria eu ser completamente imune a qualquer estímulo avesso à minha vontade. Queria ter total controle sobre o que vou sentir nos próximos minutos, nas próximas horas ou nas supostas décadas que estarão por vir, no entanto isso é quase que humanamente impossível. E será que tenho sido humano o bastante? A resposta é sim, porque não vou ficar lamentando em auto-punições. Uma coisa de cada vez, que venha a próxima fase então.
Ouça em alto e bom som: Sugarcult - Counting Stars
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sexta-feira, novembro 12, 2004
Postado por Elisandro Borges
Não percebi. Andei preocupado demais nos últimos dias pra perceber que tudo continua. O fim da dor é o começo do alívio, e se olho um pouco mais além, enxergo, é verdade. Por tudo que tenho procurado, por tudo que tenho feito ou deixado de fazer, fica aquele cheiro de pós-chuva, cheiro de vida nova. Um dia me cobrei todos os resultados imediatos, soquei a própria imagem no espelho embaçado, tive essas viagens onde não existe conexão ou possível coerência. E o que importa? O que importa é que vou continuar tentando não pensar muito em suposições. O fluxo tem que seguir fluente assim como é esperado. Tem certas coisas que não mudam, e o meu limite é apenas uma dessas fronteiras. Em consideração às minhas fraquezas, vou deitar a cabeça no travesseiro, virar para o lado e fechar os olhos mais uma vez.
Ouça em alto e bom som: Cold - Suffocate
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quarta-feira, novembro 10, 2004
Postado por Elisandro Borges
Comece. Se não conseguir um pouco de paz nesse mundo louco, vai ter que aprender a criar o seu próprio espaço aí dentro. Espaço reservado ao silêncio. Que esse silêncio seja seu por inteiro, que esse segundo seja seu sem interrupções. Sei que você tem que enfrentar todos os desafios que atropelam o tempo e chegam sem aviso, sei que ainda falta muita coisa pela frente e que eles matam um leão a cada dia lá fora, ainda assim, faça o que for, mas encontre o seu equilíbrio.
Ouça em alto e bom som: Papa Roach - Scars
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segunda-feira, novembro 08, 2004
Postado por Elisandro Borges
Eu preciso de sono, mas ele sempre acaba. Preciso dormir por tempo indeterminado. Preciso esquecer que tenho contas a pagar. Tenho que acordar em outro lugar, um lugar onde eu não precise de dinheiro pra viver, um lugar onde eu me alimente só de amor. Preciso acordar e tentar acreditar que não existe competição, que tem espaço pra todos e que ninguém sofre por motivo algum. Estou ficando cansado, não quero lutar a vida inteira. O amor é a única coisa que ainda me mantem vivo, mas não consigo ter motivação pra quase nada.
Talvez eu esteja no trabalho errado, fazendo a coisa errada, pra ser sincero, eu é que tenho andado torto, não tenho regras e tampouco um vestígio de disciplina. Minha vida é completamente aleatória, uma bagunça assim como o quarto em que me escondo. Estou perdido, não sei no que isso vai dar, não sei o que faço. Nunca me imaginei assim. Aliás, criei expectativas demais sobre mim durante esses anos todos e acabei não atingindo nem metade delas no tempo em que previ. Sempre corri atrás do que a gente chama de sucesso, prosperidade ou qualquer outro ideal afim. Sempre quis ser o melhor em pelo menos alguma coisa, só que simplesmente não sei mais o que fazer. Estou voltando. Dessa vez estou voltando pro meu país. Ouça em alto e bom som:
Eels - I need some sleep (Shrek 2)
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