quarta-feira, fevereiro 02, 2005

A propósito, o propósito

Postado por Elisandro Borges


Ela se agarra como louca no começo, mas dez minutos é a tolerância máxima. E então, os dois querendo dormir, viram-se de costas um para o outro no ato individual de cair no sono. Quando acorda, o beijo selado e discreto evita de engolir a seco o gosto amanhecido. Tem coisas que nem a cumplicidade de velhos amores é capaz de suportar. O bafo matutino é teleguiado, impiedoso e surpreende inexplicavelmente até mesmo as mais congestionadas narinas. Não há ataque de rinite que impeça tamanho estrago.

Talvez ainda não tenhamos aprendido a amar com o nariz em horas desfavoráveis. Odores, cheiros... Gostos também entram em questão. Não sei se isso seria mais agravante que um sonoro ronco ao pé do ouvido. Descobri por ela que ronco, e não há mais pra onde correr. Agora ela sabe. Decerto escondia de mim, ou ao menos tentava amenizar a brutal verdade. E o que importa? A propósito, o melhor de tudo ainda está aqui: o propósito - amor - tão fundamental quanto sexo.

Ouça em alto e bom som: O Rappa - Linha Vermelha

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domingo, janeiro 30, 2005

De pernas pro ar

Postado por Elisandro Borges


Se eu pudesse escrever de pernas pro ar, seria a melhor forma de começar a expressar o meu atual estado de espírito. Trocadas as preocupações existenciais por alguns dias de paz perfeitamente acompanhado, tenho estado assim, vivendo, vivendo, vivendo... Mais feliz impossível. E tenho vivido. Ela está aqui. Sem mais palavras para o momento.

Ouça em alto e bom som: Stabbing Westward - Remember

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domingo, janeiro 16, 2005

Não me peçam presentes

Postado por Elisandro Borges


Pessoas querem presentes. Querem lembranças em souvenirs. O que faço ou falo, nem sempre é o bastante. Talvez porque presentes falem mais claramente pelos meus atos. Às vezes esqueço das pessoas em presentes. Muitas vezes não estou presente nesses presentes. Eles não significam nada, absolutamente nada pra mim. Eu perdi a noção. Não sei comprar pessoas, e percebi que geralmente agradar tem sido um ato que escorrega por entre meus dedos.

Não sei dar presentes. Tenho dificuldade em dizer feliz aniversário. Esqueço facilmente datas importantes. Decepcionar em demonstrações materiais é um dom que adquiri em gotas frias de tempos nublados. Peça-me um presente, e prepare-se para a decepção eminente. Diga que as pessoas ficarão magoadas se eu não touxer uma lembrança, que direi: "Vou ver o que posso fazer".

Só que a partir desse minuto, não digo mais, não sei, acordei assim, do nada, resolvi ser o que sou, resolvi fazer as coisas que realmente significam algo pra mim. Não é fácil expor sorrisos pálidos em seus músculos forçados na esperança de esticar um rosto vazio. Não esperem nada de mim. Contentem-se com o que posso ser e oferecer, deixem eu lutar por amizade, mas não me peçam presentes.

Ouça em alto e bom som: Iron & Wine - The Trapeze Swinger

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sábado, janeiro 15, 2005

Estalo

Postado por Elisandro Borges


Alguém esmagou o chão. Escutei os estalos. Um passo lento e pesado. Alguém esmagou o chão em estalos. Eu estava ali, bem perto e deitado, escrevendo apoiado contra a parede. E o chão se estalava. Era o passo que pesava. Não fosse a curiosidade do meu sono... Agora ele não ouve mais, a curiosidade dormiu. O quebrar de ossos silenciava. Não havia mais passos. A casa estava vazia, a casa, agora um acaso. E não há mais. Nada mais. Silêncio.

Ouça em alto e bom som: The Coors - Runaway

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domingo, janeiro 09, 2005

O pai dos girinos

Postado por Elisandro Borges


Já tenho 7 anos e sei que a gente um dia foi girino. A vida já começa na correria, desde que saí do saco do papai. É, eu perguntei pro meu pai de onde vim e ele me disse que saí do saco dele. Disse que eu sou um campeão, saí tão apressado que consegui chegar em primeiro lugar. Não satisfeito, continuei correndo depois de sair da barriga da mamãe, é claro, isso depois de aprender a andar. Levei cada tombo nesse negócio de aprender a andar! Ainda bem que sempre tinha uma mãozinha pra ajudar. Então quer dizer que somos parentes próximos do sapo? É claro que sim! O sapo antes de ser sapo, era girino e nadava nos rios assim como nadávamos lá na barriga quando eramos girino. Nossa, que legal! Vou perguntar pro papai como é que faz pro girino sair do saco. Tô louco pra criar os meus girininhos e ver eles crescendo lá na cisterna do quintal. Já pensou que demais quando o girino virar gente?

É como se eu pudesse plantar um monte de amigo. Espera até a Clarinha ficar sabendo da idéia. Quem sabe ela até pode querer criar os girinos comigo. Essa estória de cegonha é mesmo tudo conversa pra boi dormir. Não sei como os meninos lá do Caiçara ainda acreditam nisso! Nossa… ainda bem que meu pai sempre foi de contar as coisas pra mim. Num guento embromação. Sabe de uma coisa??? Acho que vou querer ser cientista quando crescer. Não desses que ficam criando nenem dentro do forno. Vou criar os meus próprios seres humanos usando o método antigo. Só não sei ainda como é que esse negócio funciona, mas vou caçar até achar. Ontem mesmo contei da minha idéia pra Clarinha e ela me disse que se eu quiser, a gente pode fazer a experiência lá no fundo do quintal dela. A mãe dela só não pode descobrir, porque odeia bagunça. Vocês vão ver, amanhã o mundo inteiro vai acabar me conhecendo como o pai dos girinos, e a Clarinha, com certeza, vai ser a mãe dessa minha criação.

Ouça em alto e bom som: Stone Temple Pilots - Interstate Love Song

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sábado, janeiro 08, 2005

Agora entendo

Postado por Elisandro Borges


Calei em todos os cantos da casa.
Sei que o silêncio te sufoca tanto.
Mas o que faço se não sei dizer.
Agora entendo o que você sentia.

Ouça em alto e bom som: Incubus - Warmth

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quarta-feira, janeiro 05, 2005

Sapatos de bolinha e cabelos verdes

Postado por Elisandro Borges


Seus sapatos de bolinha... Esses não combinam com seus cabelos verdes. Disseram que você anda trocando os passos e até mudou de identidade. Não me faz, não me faz pensar assim de você. As cores extravagantes te prendem a atenção. Seus olhos ainda precisam de estímulos pra enxergar o que é banal. Limpe suas lentes. Os pratos de porcelana que você encomendou para o natal eram delicados ao extremo. De um polo ao outro, os meses te declaram frases insensíveis. Não te querem tão frágil e vulnerável. Mas até homens cantam e choram também. Você viu! Você viu! Porém, confesso que sapatos de bolinha são estranhos por demais, ainda que sirvam bem em seus pés. E se eles lhe fazem assim tão feliz, então por que é que você ainda continua pisando em falso?

Ouça em alto e bom som: Soundgarden - Black Hole Sun

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segunda-feira, janeiro 03, 2005

Não fale a minha língua

Postado por Elisandro Borges


Alguém passou e me ouviu cantar alto. Espero que não fale a minha língua.

Ouça em alto e bom som: Dave Matthews Band - Crash

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domingo, janeiro 02, 2005

De todas as vontades preenchidas

Postado por Elisandro Borges


Você disse que eu poderia lavar as minhas roupas em sua casa se eu quisesse. Nossa, que sensação gostosa. Não que seja gostoso lavar roupa, mas é difícil achar algo que se compare ao sentir que faço parte de seus cuidados. Lavar roupa é um saco, mas em sua companhia acho que seria tudo. Falei "acho", pelo simples fato de lavar uma roupa, no entanto, não tenho dúvidas de que sua companhia é a melhor de todas as vontades preenchidas.

Ouça em alto e bom som: Muse - Feeling Good

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sábado, janeiro 01, 2005

Alérgico à realidade

Postado por Elisandro Borges



Esse garotinho é alérgico à realidade. Vejam só o que ele fez com a camiseta. Vestiu ela do avesso e agora sai espalhando por aí que as pessoas o enxergam da mesma forma, como um pedaço esdrúxulo de tecido em seus equivocados modos de usar. Ele me disse que todos usam a camiseta com a estampa pra fora, e que se a parte de dentro está exposta, a rejeição é inevitável. Mas ele não dá bola, decidiu se adaptar ao mundo de sua forma, pois a realidade é estranha às vezes, e é assim que ele quer viver por esses dias.

Ouça em alto e bom som: Stabbing Westward - I Remember

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quinta-feira, dezembro 30, 2004

Matei mais um demônio

Postado por Elisandro Borges


Estou aprendendo a matar os meus demônios. Acordei mais uma vez durante o dia. Sim, durmo durante o dia, porque a noite não pode esperar. Demônios são clássicos em suas danças e querem nossos relicários. O mal é a face do bem que se distorce. Somos os dois lados. Matei mais um demônio. Estou me sentindo melhor. Meus demônios estão velhos e não são tão mais populares. Eles me libertam, porque morrem. Matei mais um demônio.

Ouça em alto e bom som: Nando Reis - Por Onde Andei

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segunda-feira, dezembro 27, 2004

Por mais dez minutos

Postado por Elisandro Borges


Você tem mais vinte minutos pra dormir. Quer dizer, agora na verdade são dez. É, realmente. Nem tinha reparado. Mas tudo bem, eu viro pro lado e quando o celular tocar, aperto o soneca, cê me entende? Aquele que te deixa dormir por mais dez minutos. Ah, sei. Pára de olhar no relógio! Desse jeito você não dorme nem dez minutos. E o que são dez minutos? Sei lá, só sei que dá moleza. Pra te ser sincero, nem tô dormindo. Tô escrevendo isso aqui. Ah, é? É. E por que os seus diálogos não têm travessão? Porque não mudei de personagem, ainda tô falando comigo mesmo. Entendi. Que bom, né? Que bom que você tem alguém assim tão íntimo pra trocar idéias e confissões. Eu sei, mas tem horas que nem dou valor a isso. Tem horas que não percebo quem eu sou, porque no fundo ando confuso com minha vida profissional. Ó, o celular tá despertando. Valeu, brigado. Já coloquei no soneca. Então são mais dez minutos? Isso, são mais dez minutos.

Ouça em alto e bom som:
Marisa Monte - Diariamente

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sábado, dezembro 25, 2004

Vou limpar esses cantos

Postado por Elisandro Borges



Vou ter que parar um minuto. Vou ter que limpar tudo isso aqui e organizar as coisas que ainda estão faltando. Vou ter que parar um minuto. Não quero parar um minuto e ficar no meio do caminho. Não quero demorar em dúvidas. Aliás, elas acabaram de passar. Passei pelas dúvidas. Vou limpar esses cantos, preciso cumprir a minha parte, vou limpar esses cantos.

Ouça em alto e bom som:
Pugna Puff - Não sei dizer

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quarta-feira, dezembro 22, 2004

Julguei, e sei quem acertou o seu Zé

Postado por Elisandro Borges


Eu leio vidas, não prometo interpretações acuradas. Vidas também são feitas para serem lidas. Penso em pessoas que disseram coisas importantes e às vezes chego a acreditar que por mais vaga que seja uma poesia, essa se faz mais certeira do que a própria política que nos desgoverna na nudez da ironia. Eu não sei o que dizer, não tenho o que dizer, mas não estou a fim de ficar calado. Quero ensinar meu filho a entender certas coisas, só que antes vou ter que aprender a entender poesia, porque pensar em fazer um filho já é outro porém.

Ainda assim, quero falar mal de alguém, o foda é que todos são seres umanos, desse jeito, sem h mesmo, pois qualquer um perde a cabeça um dia, por que não o h? É inconveniente falar mal do desconhecido. No entanto, continuo insistindo em falar mal de alguém. Provavelmente, julgar seria o caso. Julguei descomedidamente, tantas vezes que perdi a conta, já não sei mais contar. Julguei sim, julguei pessoas, sexualidade, raças, classes, cachorros... Taquei pedra em quem estava quieto, acertei até o seu zé do picolé.

Pensei que poderia entrar em conversas secundárias e expor os meus turbilhões de idéias às avessas. Idéias tão avessas que nem me dizem respeito. Aliás... Respeito. Interessante essa palavra. Enquanto isso, nossos pés querem ser beijados na ausência desse mito. Que aceitem nossas teorias conspiratórias sobre o que nem sabemos dizer. Todos, quase todos estão mudando o mundo. Tem gente que muda de lugar, esquenta um assento e muda um mundo. Em qual sentido, não sei bem ao certo. Certo... Não, é relativo. E isso é inevitável. Não sei dizer, eu não sei o que dizer.

Ouça em alto e bom som: Social Distortion - Reach For The Sky

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sexta-feira, dezembro 17, 2004

Depois que tudo passar

Postado por Elisandro Borges


O ano está aí, acabando. Sensação de que por mais árduo que possa ter sido, fantasmas foram exorcizados, e uma vida se recomeça ano que vem, em cores diversas. Com o ano novo, vem também a percepção de que o nosso ritmo é dividido em pequenas parcelas, assim, todo marcado em pedaços dispersos pelo calendário impostergável. Os dias estão todos cravados nele, com direito a feriados costumazes, ainda que insignificante para alguns, para outros um motivo a mais pra burlar tédios de rotinas ociosas. Provavelmente muitos fizeram divãs-amigos e amigos-divãs durante esse tempo, e sendo suave nas palavras, eventuais "desamigos" também.

Recados importantes foram esquecidos e extraviados em algum canto longínquo de nossas memórias. Tudo bem, é geralmente assim que levamos os nossos dias. Quando perguntam se estamos bem, dizemos que sim, não pensamos antes de responder, independente do que realmente se passa na omissão da intimidade. A premissa é: estar bem, talvez com alguém, quem sabe até mesmo na introspecção de uma solidão rasa. Que essa solidão seja apenas rasa então. Que seja de leve. Estar bem, por mais que pedras danifiquem os bonsais mais velhos de nosso jardim, a hora oportuna de viver coisas boas sempre chega. Anos novos são iguais em seus detalhes diferentes. Pessoas são iguais em suas diferenças particulares.

Como de praxe, a história que se formará lá na frente, terá brigas, tréguas, guerras e amores. Vamos ter as mesmas coisas de sempre. Vamos chegar atrasados em encontros, beijar muito na boca, vamos transar num daqueles moteis desconhecidos entre becos e esquinas. Vamos fazer churrascos e convidar nosso melhor amigo vegetariano. Façamos graça. Façam ou desfaçam apologias. Alcoolizem-se, convertam-se em padres ou freiras, percam o juízo na responsabilidade de si próprio, e se não for exigir muito esforço, olhe no olhos quando cumprimentar alguém. Seja brega, cafona, perca a postura de professores. Seja fino em modos prudentes, mas não esqueça de dizer foda-se de vez em quando também. Seja tranqüilo em ser. Não seja. Seja perfeitamente humano em suas imperfeições. Não esquentem muito a cabeça com os padrões, filtrem os conselhos, e depois que tudo passar, por favor, joguem o lixo da cozinha fora.

Ouça em alto e bom som: Morphine - A Head With Wings

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quarta-feira, dezembro 15, 2004

Sonhos em metáforas

Postado por Elisandro Borges


Tive um sonho essa noite. Sonhei que eu entrava em um supermercado enorme, mas quando via esse pelo lado de dentro, estava tudo deserto, vazio. Eu me sentia desolado. Não havia pessoas, não havia nada. Salvo o canto direito, que ainda existia uma mercearia bem pequena com um único funcionário. Eu também escutava a voz de um cara que eu não conseguia ver, e esse cara me explicava o porquê de todo aquele vazio, mas o restante do sonho são apenas brancos em minha memória. Não consigo me lembrar de mais nada além daquele rombo. Às vezes acho que o nosso subconsciente gosta de brincar com nossos sonhos em metáforas.

Ouça em alto e bom som: Fuel - Falls On Me

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terça-feira, dezembro 14, 2004

Bonzinhos e poetas

Postado por Elisandro Borges


Ser bom nem sempre é uma boa idéia. O indivíduo bom é geralmente um ser passivo e facilmente manipulável. Todo bonzinho no final acaba levando no cuzinho, nem que seja apenas pra ser bonzinho. Às vezes o bonzinho acha que rimar é uma arte generalizada e altamente altruísta, então ele decide que levar no cuzinho é ser bonzinho. Poeta de cabeceira, já acorda rimando: "quero ser bonzinho, nem que seja pra levar no cuzinho". Todo bonzinho é um poeta nato, pois rima sem fazer esforços. Gostamos muito dos bonzinhos, daqueles que não sabem dizer "não" e estão sempre prontos em seus devidos postos para servirem os mais dispendiosos caprichos alheios, custe o que custar.

Os "espertos" ficam ofendidos se outros discorrem um "não" em suas caras lavadas de segundas intenções. O bonzinho acha que dizer "sim" indiscriminavelmente, pode abrir suas portas em um futuro próximo, mas não consegue perceber que determinados sangue-sugas querem na verdade é abrir as portas dos fundos do nosso tão solicitado bonzinho. Rentável, venderemos bonzinhos com cuzinhos de fácil acesso para amostras grátis em feiras livres, afinal, quem é que não quer levar um desses pra casa?

Ouça em alto e bom som: P.O.D. - Boom

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segunda-feira, dezembro 13, 2004

Eles estão frios

Postado por Elisandro Borges


Os pés estão frios. Esconda debaixo desse cobertor, mas os pés continuam frios. Agora já está tudo quente em volta, e os pés, frios, eles estão frios, não só frios, secos também. Estão maltratados e esquecidos. Ficam guardados o tempo todo da luz do sol, eles não vêem a luz do sol. Respiram o ar confinado, não sobra espaço para os poros. É, os poros. Não respiram durante quase todo o tempo. Quando saem, sentem frio, eles estão frios. São apenas pés frios, de pessoas frias.

Ouça em alto e bom som: Drowning Pool - Tear Away

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sexta-feira, dezembro 10, 2004

Ensaio

Postado por Elisandro Borges


Escrevo de caneta naquele papel improvisado, e pra variar, a tinta falha e minha caligrafia cambaleante vacila em revelar a insegurança de um pré-adolescente ensaiando falas de adulto. Escrevo deitado mesmo, porque se levanto, perco as idéias. Fico tentando sonhar de pé, mas funciono melhor na horizontal, onde meus olhos fechados enxergam mais de perto a vida dando voltas por entre essas divagações. E foi assim, exatamente dessa forma que descobri o amor de volta. Foi divagando sem pressa mesmo.

Quando não soube o que dizer, apenas cumprimentei sem maiores pretenções em princípios de conversa. Acontece que princípios de conversa podem ser princípios de histórias também. Estou feliz agora. Mesmo afirmando que sou feliz em temporadas, mesmo sabendo que os dias são feitos de surpresas - agradáveis ou ruins - aceito a pausa, tento entender as entrelinhas. Vago... Vago são esses pensamentos de caras amassadas, justamente assim como quem acaba de acordar.

Não quero construir castelos de areias, eles são frágeis por demais. Não quero ver a água levando esses caprichos. Chega de comparações baratas, porque pessoas de verdade são caras. Quero manter as pessoas reais, ainda que virtuais, bem perto de mim. Repito: pessoas de verdade são caras. Todo esforço é pouco, porque mais uma vez, pessoas de verdade são caras.

Ouça em alto e bom som:
Staind - Faded

(download aqui)


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quarta-feira, dezembro 08, 2004

Meu aniversário

Postado por Elisandro Borges

Hoje é meu aniversário! Parabéns pra mim! Ih, esqueci de colocar a música aqui, depois eu coloco.

Fui com gosto de gás!

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