terça-feira, setembro 07, 2004
Postado por Elisandro Borges
Assim as coisas podem ser ditas. Não há nada a esconder, talvez não haja motivos pra atitudes tão regradas. Seja ela o que for, o dia foi longo, essa moça precisa de uma distração. Anda tentando fugir de si mesma, tentando organizar a bagunça em sua cabeça atordoada. Respire, sinta, prove... Não sobrou nada além de pensamentos embaçados. Está vazio lá fora, é feriado. Agora o que ela vê é o seu reflexo em uma garrafa de vinho, dessas que mantém o sangue fluindo pelas veias. Uma garrafa de vinho pra dar a ela um pouco de alívio. Isso, uma garrafa de vinho – é tudo que ela precisa nesse minuto. Mais um dia se foi, mais um dia, e essa é a medida certa. Acredite ou não, mais um dia se foi. Mais uma garrafa, só mais uma garrafa de vinho.
Ouça em alto e bom som: The Devlins - Reckless
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domingo, setembro 05, 2004
Postado por Elisandro Borges
Não me falem de barreiras, nem me contem histórias tristes. Não me assustem. Não me digam que o futuro é incerto. Não me falem de contradições, muito menos de realidade. Não me falem de miséria. Não me roubem a fantasia, não me tirem a redoma que criei durante esses anos. Não tentem fazer eu enxergar pelos seus olhos, me deixem assim. Não se preocupem, apenas torçam por mim, pois torcerei por vocês. Ninguém precisa aceitar meus ideais, não quero convencer os nossos moralistas, nem tampouco apontar quem está certo ou errado, quero apenas viver o que tenho pra viver.
Não pensem que abandonei o barco, esqueçam, não pensem nisso. Contem com o meu amor, mas não o vinculem ao capitalismo desse mundo. Não esperem que eu possa ser o maior exemplo da família, não esperem que eu possa agir como um ser humano completamente normal e sensato. Sensatez é a última das virtudes que vocês um dia poderão esperar de mim. Não sigam os meus passos e nem tentem fazer por mim o que sozinho não consegui.
Lutem por si mesmos, eu vou ficar bem. Se alguém estiver perdido, eu também estarei me procurando. Perdoem-me por não ser aquele herói que vocês gostariam que eu fosse. Perdoem-me por eu não poder ser tudo isso, me perdoem por ter pensado apenas em mim.
Ouça em alto e bom som: Live - T.B.D
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quarta-feira, setembro 01, 2004
Postado por Elisandro Borges
Vejo pessoas falando de ilusão. Elas temem a ilusão. E a grande incoerência disso tudo é que nós somos a própria ilusão. A vida é uma ilusão. O dinheiro é uma ilusão. A fome é uma ilusão, a morte é uma ilusão. Amar é ilusão, lutar é ilusão. Perder ou ganhar será ilusão. Teremos ilusão entre o céu e o inferno, entre a dor e o alívio. Ilusões - elas interagem entre si. Na felicidade ou na depressão, teremos ilusão. Mais uma vez, em nosso íntimo, temos forças que confundem-se entre o bem e o mal. O homem e suas esperanças são nada mais que ilusões. Ilusões de um lugar que não lhe pertence. O homem e suas cartilhas do passado com crenças cegas de subserviência. Ao me pedirem pra sonhar com os pés no chão, me resta dizer que o chão onde piso agora, é de pura ilusão, e se um dia esse chão me faltar, eu cairei... Cairei em um outro mundo, de novas histórias, e assim sendo, de outras novas ilusões.
Ouça em alto e bom som: Massive Attack - Teardrop
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quarta-feira, agosto 25, 2004
Postado por Elisandro Borges
Hoje. Só por hoje não quero arrancar de mim um sorriso como quem extrai um dente sem anestesia. Assim eu não preciso olhar pra ninguém e sem intervalos eu me calo, não preciso de respostas. Não sinto a necessidade de questionar Deus ou quaisquer que sejam essas inquietações. Só não sou capaz de trocar gentilezas quando essas estão ausentes por aqui. Fica o que tiver de ficar. Eu estou saindo e quero dizer obrigado. Que essa seja a última palavra. Nossa, não entendi nada do que eu quis dizer. Mas pelo menos vou poder postar a música. Êta nóis!!!! Olha só esse som do Cake, os caras são muito engraçados e essa música é ótima pra tirar a remela do olho. Sei lá o que eu quis dizer com isso...
Ouça em alto e bom som:Cake - Jolene
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quarta-feira, agosto 18, 2004
Postado por Elisandro Borges
Não importa quão longe.
Amor que alimenta o fluxo de um músculo.
Sempre inconsciente de suas batidas involuntárias.
Não entende nada, mas precisa bater. E assim bate.
São voragens de nossas origens.
Origens de dezembro, origens do fogo.
Músculo que sangra por dentro. E assim bate.
Sangue que corre na intimidade dessa pele paquiderme.
Pele que ainda expõe o frio que restou de outras temporadas.
Frio agora externo e superficial que aqui nada mais atinge.
Nada. Nada mais atinge o turbilhão que arde por dentro.
Esse turbilhão que arde por alguém.
Esse turbilhão... Que arde por ela.
Ouça em alto e bom som:
Fiona Apple - On The Bound
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segunda-feira, agosto 09, 2004
Postado por Elisandro Borges
O barraco está armado! Ou será a barraca? Não importa. Deixem os moleques remelentos comerem barro, deixem as velhas virgens viverem em paz com seus brinquedinhos bulinantes. Todos têm o direito de serem doidos e esculhambar uma hora. Mas vem cá, quem é que sabe o hino nacional de cor? A primeira parte até que dá pra enrolar, mas pra evitar o vexame da segunda, eu já fico calado desde o início, pelo menos posso fingir que o silêncio é o respeito mor. Eu quero é esculachar. Quebremos as regras e os braços de quem se atrever a nos podar. Futilidades à parte, revoluções programadas, estaremos aqui. Gritem, saiam dos cantos mofados (olha quem fala...). A lei universal será recriada. Procriem idéias soltas e verbalizem-se! Destravem as portas, soltem os cachorros e joguem fora todo o lixo que estava acumulando em seus aposentos!
Ouça em alto e bom som:
Papa Roach - Getting Away With Murder
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quarta-feira, agosto 04, 2004
Postado por Elisandro Borges
Era possível ver a própria imagem refletida na água. Chegou mais perto e então viu. Mais uma vez estava do outro lado. Agora não havia mais como discernir qual dos lados era real. Perdia-se nas ondas que tremulavam aquele reflexo. Ali ficou por muito tempo. A intensidade das ondas envolvia sem pressa o seu antro interno. O sopro do vento agitava a superfície, e novas ondas se formavam. Intro, disperso, leve, vago e nulo. Seu pensamento era força que anestesiava o medo e reacendia seus instintos. Livre por um instante. O vento continuava a soprar em ocasiões aleatórias, levando junto os brados contidos em dias de dúvidas. Horas impróprias. Horas em que deveria ter gritado, horas em que deveria ter visto, horas em que não deveria ter vacilado. O vento leva, o calor derrete e o sol sela a boca sequiosa. A mesma água que lhe devolve a imagem, assim lhe restitui o viço. De volta, a vida, num espiral de ciclos contínuos...
Ouça em alto e bom som:
Radiohead - High and Dry
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segunda-feira, agosto 02, 2004
Postado por Elisandro Borges
Crescer, sair da inércia. O que significa segurança, ou certeza? Estabilidade? Estar satisfeito ou sempre buscando? Onde está a medida? Equilíbrio? Misturando todas as sensações e expectativas, fazendo de todos os dias um motivo de impulso, de desejo. Desejo de respirar ares melhores. O melhor, sempre atrás do melhor. Mas então onde mora a satisfação, se ficamos praticamente a vida inteira tentando alcançar algo que ainda não temos? Ter, ter, ter, possuir, até quando? Eu quero saber. Se eu pudesse simplesmente ser e não precisar ter, tudo seria diferente. Tudo. Ter um lugar ao sol, ter... Temos o que somos, não somos o que temos.
Ouça em alto e bom som:
Massive Attack & Tricky - Karmacoma
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quinta-feira, julho 29, 2004
Postado por Elisandro Borges
Você está pegando chuva mais uma vez. O que te deu na cabeça pra ficar sentado na porta de casa se molhando todo? Quem te ensinou a beber água da chuva? Quem te ensinou a conversar sozinho? O que te faz pensar tanto e olhar para o nada como se tudo a sua frente fosse transparente? Você desligou, simplesmente desligou. Volta aqui, aonde você vai? Sei que as coisas que rondam seus pensamentos são só pedaços. Por onde andou deixando esses pedaços?
Ainda chove forte, e sei que chove aí dentro também. Você não pode mais evitar as águas, elas estão transbordando agora. Os seus olhos não vão mais segurar esse peso. Esse nariz escorrendo não é de gripe e a voz engasgada por fim pede calmaria. Ela fica em silêncio por fora e imóvel por dentro. Sei que não precisa chamar a atenção de ninguém e quando alguém percebe, você disfarça, distancia. Você quis evitar as pessoas, quis evitar suas fraquezas. Mas são essas fraquezas os seus maiores moldes. Olhe só pra você e pare de chorar como criança que tropeçou no cadarço daquele tênis desbotado. Você precisa se acostumar a amarrar seus cadarços por conta própria, agora é praticamente só você por essas bandas.
Entenda, seus limites têm um espaço, limites que travam sua visão. Abra bem a pupila e deixe a luz entrar. Perceba que existem vozes de pessoas reais do lado de fora. Perceba. Simplesmente comece por perceber que pessoas precisam de atenção, e que elas uma hora sentirão falta disso. Comece a enxergar que você não é o único e que seu lado ególatra pode te isolar de novas caras ao redor. Eu sei que sua cabeça está explodindo e que a pressão parece massacrar sua razão. Mas vai, encontre o seu abrigo. Levanta esse astral, escreva uma carta pra você e dê um dia de descanso para suas autocobranças. Enquanto essa chuva não passa, faça um chá quente... Descanse um pouco e cuide bem de você.
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quarta-feira, julho 28, 2004
Postado por Elisandro Borges
Escrever em abstrato. Escrever sobre abstrato. Quero esquecer as regras que me prendem as idéias. Já pensei em abandonar esse mundo de imaginações, mas notei que ele me mantém respirando. É assim que respiro, com a imaginação. É tudo uma viagem, mas uma viagem que ainda assim existe. Não é delírio da minha parte, são sonhos. Alguns bem definidos, outros que não consigo me lembrar. Os bem definidos, carrego todos os minutos comigo. Aos poucos, sempre aos poucos. Os sonhos estão vindo aos poucos. Estou vendo coisas boas pela frente. Eu sinto, eu sinto. Algo me diz isso. Agora, estou sonhando de novo. Vou montar esse sonho. Montar ele de verdade. Já estou encaixando as peças, e não faço isso sozinho. Já está tudo desenhado. Tudo. E como tudo é relativo, detalhes ficarão a acrescentar...
Ouça em alto e bom som:
Maroon 5 - This Love
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sábado, julho 24, 2004
Postado por Elisandro Borges
Dor. Ela quase explodiu meu cérebro. Vírus: Nile, ou West Nile. Uma semana lutando contra esse bicho. Uma semana, ainda estou meio mole. Pensei que não ia agüentar a dor. Não tenho muito o que dizer ultimamente. É só uma fase. Só uma fase, vai passar. O que tenho realmente a fazer é pedir desculpas a todos que vieram com carinho aqui, comentaram e não receberam nenhum sinal de vida meu. Já estou dando um jeito de conseguir uma folga por semana, aí vou ter um dia todo pra visitar cada um. Ah, o piano dessa música é diiiiiiimais!
Ouça em alto e bom som:
Coldplay - Trouble
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domingo, julho 04, 2004
Postado por Elisandro Borges
Metade de um ano. Metade de um bolo, metade de uma época. Minhas metades que não se acabam. Metade que eu nunca dividi, metade inteira. Duas metades. Duas metáforas. Tire-me de volta o que te leva. Somos só metades. Ficou em partes, duas metades. O seu colo que encaixa em metades. Metade eu abraço. Metade eu sinto. Essa metade deixada nas entrelinhas. Sua imagem de metade separa-se do que é alheio ao nosso vínculo.Estou dentro do vazio que te contempla. Um gosto de metade. Embrulho em desejos de calor entregue a uma metade. Estende-se a busca de retratos em cortes vagos e incompletos. Espaço, vírgulas e reticências... Sonhei com duas metades. Uma era você e a outra... Pelo que me lembro, Era só a metade que te faltava.
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sexta-feira, junho 25, 2004
Postado por Elisandro Borges
*O nome do personagem é fictício, mas tentei relatar na forma de um conto, o que aconteceu com um amigo meu ao atravessar a fronteira do México com os EUA.
“Corra! Não olhe para trás!” Ele deixou tudo o que tinha em mãos, jogou a garrafa d’água e a mochila fora, sem rumo, ele correu como nunca... Estava escuro e o deserto era muito vasto. Carlos era sinônimo de puro impulso naquela hora. O instinto de sobrevivência falou mais alto e suas pernas ganhavam chão sem fim. Não havia nada em seu coração, apenas medo e taquicardia. Os gritos de tormentos dos colegas ao redor o faziam disparar ainda mais. Salve-se quem puder. Esse era o lema. A polícia da fronteira estava escondida e surpreendeu o grupo a poucos passos do sonho americano. A travessia no deserto do México estava para chegar ao fim. No entanto, nada o fazia parar de correr. Tudo o que ele possuía agora era uma calça dilacerada e a camisa rasgada pelos arames farpados que esbarrou durante o caminho. Em seu bolso, apenas documentos, mais nada. Sua sorte fora entregue.
A poucos metros de sua frente, avistou um outro homem correndo em desespero. E por incrível que pareça, aquele era um dos coiotes que o guiaria mais tarde. Dessa vez, Carlos foi o escolhido, ele finalmente alcançou o homem e pôde ter certeza de que era a pessoa certa. Dali para frente, sua alternativa era tentar encontrar forças para continuar. O sol começou a clarear o deserto. Não havia mais ninguém por perto. Nesse momento, o maior inimigo era o calor causticante. Areia por todos os lados, cansaço, sede, desesperança... Sem contato algum com o mundo, ele seguia em frente buscando um sinal de vida. Suas energias eram injustamente desproporcionais ao espaço que ainda faltava percorrer.
O seu organismo não tinha líquido sequer para uma lágrima. Ele já estava quase que implorando a Deus para ser pego pelos policiais, pois ao menos assim teria água para beber. Foram horas a fio de muita luta e sofrimento. Carlos conseguiu superar seus próprios limites. Sua fé o manteve vivo e a necessidade de atingir um norte em sua vida foi dominante. O coiote encontrou o caminho de volta e por um milagre atravessou aquele homem de 32 anos. Hoje, Carlos pisa em terras menos inóspitas e é supervisor em uma central telefônica na qual trabalho, em San Francisco, Ca. Exemplo de força, perseverança e humildade. Um ideal levado às últimas conseqüências.
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domingo, junho 20, 2004
Postado por Elisandro Borges
Você não precisa comer, não precisa beber nada, simplesmente olhe para o sol durante a manhã por alguns segundos e será o suficiente. Pasmem, pelo menos muita gente alega viver assim, alimentando-se apenas da luz do sol. A escritora e metafísica Evelyn Levy, é um desses milhares de seres hu (Deus) manos (homem) espalhados pelo mundo. Em 2001, foi entrevistada por Jô Soares e deixou muitos sem rumo de casa depois do que viram. Quando vi a matéria na época, meus olhos foram completamente abduzidos pelo assunto. Mal pude respirar, não podia piscar, pois cada milésimo de segundo era precioso. Para saber mais, é só clicar na imagem. Claro, por favor, me falem o que vcs acham disso tudo. Valeu!!!
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terça-feira, junho 15, 2004
Postado por Elisandro Borges
Fotos em minha mente. É, só mesmo em minha mente, porque fisicamente tenho poucas e as poucas que tenho, ficaram em Goiânia. Quase todos os meus amigos e parentes me pedem fotos, pois a distância que nos separa é cruel e no momento, a única forma de manter a lembrança bem viva é através de fotos. O grande empecilho é a minha própria limitação. Desde que me mudei para a Califórnia e fiquei longe de todas as pessoas que amo, tenho me tornado um pedaço de ser humano largado ao acaso. Não piso lá fora, a não ser para ir trabalhar e voltar pra casa.
Não freqüento lugares turísticos, não tiro fotos e com a cara ruborescida, confesso: mal sei o que é um cinema por aqui. Não comprei televisão, video ou qualquer coisa do gênero. Filme, só no lap top, mais nada. O mundo pra mim agora se restringe a um quarto, fico trancafiado nesse espaço e só saio por extrema necessidade. Pra falar a verdade, a única vez em que saí neste ano, foi para ver um show da Dido em Berkeley, ou seja, uma extrema necessidade pra quem não vive sem música. O lado positivo disso, é que tenho estado em contato intenso com a leitura e a escrita, tenho conhecido muita gente boa nesse mundo virtual, fiz e tenho feito muitas amizades nesse sentido. Isso é importante, é quase que insubstituível!
No entanto, acabo esbarrando nas fotos. Quando me pedem uma mísera fotinha, o que tenho a oferecer é apenas aquela solitária que tirei com minhas próprias mãos dentro de casa. Já implorei para os amigos me mandarem as fotos que eu tinha com eles por e-mal e cheguei a ajoelhar virtualmente para a minha prima desnaturada Aline, mas ninguém se sensibiliza com o cara. Eu quero fotos, quero lembranças, quero formas e preciso acreditar que a vida lá fora ainda é como eu imaginava... REAL.
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sábado, junho 12, 2004
Postado por Elisandro Borges
Que mané dia dos namorados que nada! Eu já estava me esquecendo desse dia, ainda bem que peguei um restinho da noite do dia 12 pra mencionar o dito. "Mim estar" sozinho, "mim não ter" nenhuma mãozinha pra fazer um cafuné. Esqueceu, agora sou um mendigo do amor também. As mendigas, pelo que eu saiba, estão meio abandonadas, catando o que aparece pela frente, caso contrário não fariam jus ao nome. Pelo menos isso essas mulheres fazem, porque na situação deplorável em que me encontro, nem beijar na boca não sei mais o que é. Mas não é preciso estar sozinho pra estar carente, vai, confessa, cada um de nós tem um quinhão dessa penúria. Tudo bem, para as que estão namorando, como a Pri Albuquerque, a Maitê, A Bia Biovoar (vou fingir que o Zé é seu namorado), a Carolzinha de Guarulhos, a "abrobrinha" da Laura lá do Japão, a poderosa Isis, minha irmã Rosilane... Ah, tá bom, minha memória não é tão boa assim, vai relevando. Em suma, feliz dia triste e atrasado dos namorados! E força para os indigentes filiados!
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quarta-feira, junho 09, 2004
Postado por Elisandro Borges
Não gosto de fazer drama da minha vida, prefiro suavizar o que me pesa. Prefiro tentar entender, mas não consigo. Não tenho me esforçado o suficiente para o meu crescimento. Entreguei ao mundo minhas promessas impulsivas que a necessidade me impôs na fase adulta - essa fase vitalícia de adolescente que veda seus olhos nas horas difíceis, para assim não ver as úlceras do mundo. São promessas que fiz para mim mesmo. Promessas simples de que algum dia buscarei algo que me puxe para frente. Num barco a deriva, quem está perdido agora sou eu. Mas vou tocando ele, ainda restam alguns mantimentos no porão. O estoque é bastante limitado, no entanto espero durar até que eu alcance o próximo porto.
Tenho também imagens de promessas que me fizeram na infância, as quais continuam bem guardadas. Várias promessas. Quando se é criança, ouve-se muitas delas. É frustrante para a miniatura de um ser humano descobrir que papai Noel nunca passou de uma farsa e que a mesma foi enganada por todo esse tempo. Foram presentes derivados de uma imagem sabotada, ainda que com intenção genuína de nos agradar. Desde pequenos, aprendemos a sentir a frustração em suas diversas caras. A maioria de nossos pais até que tentou evitá-las, mas sempre chega a hora de enxergarmos o dever que nos pertence, a hora em que tomamos uma atitude e partimos pra labuta, pois sem querer ser redundante em tudo o que falo e já sendo, mais uma vez algo é preciso ser feito...
Ouça em alto e bom som: The Coors – Only when I sleep
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Postado por Elisandro Borges
A frase era tão idiota que foi deletada...
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sexta-feira, junho 04, 2004
Postado por Elisandro Borges
Vem cá, vamos falar de traição. Antes de qualquer coisa, deixa eu expulsar os bichos que estão aqui dentro e de antemão aviso: ESTE TEXTO CONTÉM FRASES EXPLÍCITAS E PALAVRAS DE BAIXO CALÃO. Vou ser curto e grosso, mais grosso do que curto. Odeio essa puta! Podre e fétida ao cubo! Acho a maior falsidade do mundo trair alguém! Tudo bem que a carne é fraca, mas se você não consegue segurar a pixirica, ou o bastonete endiabrado, que não arrume nenhum compromisso então. Não falo só de sexo, um simples beijo já é o bastante pra por tudo por água abaixo. Eu sou careta sim, e sempre terei a honra de ser!!! Quero deixar isso bem claro, e não vou medir palavras, não vou reprimir a indignação que corre solta em minhas veias. Será que é realmente engraçado enganar alguém, é divertido? Me conta!
Tenho que esfriar a cabeça, ou melhor, as cabeças. Só de tocar nesse assunto, já me dá nos nervos! Mas é algo que vou ter que me acostumar ou simplesmente terei que evitar qualquer tentativa de relacionamento. Existe gente fiel nesse mundo, sei que existe. O foda é que não há critério ou qualquer espécie de padrão pra esse caso. Não adianta eu procurar uma mulher feia e destruída, porque as feias também traem. Já pensei em investir nas religiosas, mas vi muita gente ganhando bíblia de presente e ainda de lambuja, um belo par de cones salientes. Talvez essas pessoas estejam escrevendo certo por linhas tortas, devem estar tentando nos mostrar que o perdão é a última cura para o século XXI. Perdão o caralho! “Ai, somos seres humanos, todos cometemos erros”. Cansei de ouvir isso e parafraseando meu amigo Geraldo: vai cagar no mato! E ainda tem uma amiga minha que diz que é melhor dividir uma lagosta suculenta com os amigos, do que comer sardinha na cumplicidade da solidão. Pelo amor de Deus, né Rubia, me poupa o cabeção!
Infidelidade não é circunstância, é inconstância de caráter e em algumas pessoas, chega a ser um hábito, um passatempo. Vejo muita gente rindo e espalhando o crime aos amigos como se fosse um troféu. Não acredito muito em pureza, nunca conheci uma mulher sequer que não tenha traído ao menos uma vez. Acho que os homens são piores ainda, mas por incrível que pareça, conheço um ou dois que nunca cometeram tamanha desfeita. Amo minhas amigas, meus amigos e minha família, não odeio as pessoas que traem, mas não aprovo, nunca aprovei, jamais aprovarei e continuarei batendo o pé. São 25 anos até agora, e se Deus quiser, terei muito tempo pela frente. Estou ciente de que nossas opiniões mudam com essa coleção de datas, mas o sentimento que tenho é quase um estilo de vida, é um ideal e luto com forças das quais mal posso entender de onde vêm. Sei que estou nadando contra a maré, e se assim for, que eu me canse só na hora da morte!
Depois de tomar umas cangibrinas, disfarce, certifique-se de que você é a única pessoa a ocupar o recinto, aí assim, finalmente ouça em alto e bom som:
Waldick Soriano - Eu não sou cachorro não
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Postado por Elisandro Borges
"Malandro é o pato, que já nasce com os dedos colados pra não usar aliança!"
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