sexta-feira, novembro 12, 2004
Postado por Elisandro Borges
Não percebi. Andei preocupado demais nos últimos dias pra perceber que tudo continua. O fim da dor é o começo do alívio, e se olho um pouco mais além, enxergo, é verdade. Por tudo que tenho procurado, por tudo que tenho feito ou deixado de fazer, fica aquele cheiro de pós-chuva, cheiro de vida nova. Um dia me cobrei todos os resultados imediatos, soquei a própria imagem no espelho embaçado, tive essas viagens onde não existe conexão ou possível coerência. E o que importa? O que importa é que vou continuar tentando não pensar muito em suposições. O fluxo tem que seguir fluente assim como é esperado. Tem certas coisas que não mudam, e o meu limite é apenas uma dessas fronteiras. Em consideração às minhas fraquezas, vou deitar a cabeça no travesseiro, virar para o lado e fechar os olhos mais uma vez.
Ouça em alto e bom som: Cold - Suffocate
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quarta-feira, novembro 10, 2004
Postado por Elisandro Borges
Comece. Se não conseguir um pouco de paz nesse mundo louco, vai ter que aprender a criar o seu próprio espaço aí dentro. Espaço reservado ao silêncio. Que esse silêncio seja seu por inteiro, que esse segundo seja seu sem interrupções. Sei que você tem que enfrentar todos os desafios que atropelam o tempo e chegam sem aviso, sei que ainda falta muita coisa pela frente e que eles matam um leão a cada dia lá fora, ainda assim, faça o que for, mas encontre o seu equilíbrio.
Ouça em alto e bom som: Papa Roach - Scars
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segunda-feira, novembro 08, 2004
Postado por Elisandro Borges
Eu preciso de sono, mas ele sempre acaba. Preciso dormir por tempo indeterminado. Preciso esquecer que tenho contas a pagar. Tenho que acordar em outro lugar, um lugar onde eu não precise de dinheiro pra viver, um lugar onde eu me alimente só de amor. Preciso acordar e tentar acreditar que não existe competição, que tem espaço pra todos e que ninguém sofre por motivo algum. Estou ficando cansado, não quero lutar a vida inteira. O amor é a única coisa que ainda me mantem vivo, mas não consigo ter motivação pra quase nada.
Talvez eu esteja no trabalho errado, fazendo a coisa errada, pra ser sincero, eu é que tenho andado torto, não tenho regras e tampouco um vestígio de disciplina. Minha vida é completamente aleatória, uma bagunça assim como o quarto em que me escondo. Estou perdido, não sei no que isso vai dar, não sei o que faço. Nunca me imaginei assim. Aliás, criei expectativas demais sobre mim durante esses anos todos e acabei não atingindo nem metade delas no tempo em que previ. Sempre corri atrás do que a gente chama de sucesso, prosperidade ou qualquer outro ideal afim. Sempre quis ser o melhor em pelo menos alguma coisa, só que simplesmente não sei mais o que fazer. Estou voltando. Dessa vez estou voltando pro meu país. Ouça em alto e bom som:
Eels - I need some sleep (Shrek 2)
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sexta-feira, outubro 08, 2004
Postado por Elisandro Borges
Será que você poderia me dar uma mãozinha? Quer dizer, um bracinho. Ah, não abusando muito da sua boa vontade, será que eu poderia pegar só a parte superior do tronco? Vai, deixa de ser egoísta, me empresta a mãozinha, o bracinho, o tronquinho... Bom, eu sei que parece muito, mas acho que você não se importa, né? Então tá bom. Ah, esqueci de uma coisa, o meu carro ficou no mecânico, será que eu poderia pegar o seu emprestado? Prometo que volto rapidinho, só vou ao shopping comprar uns cds. Por falar em cds, cadê aquele seu do Trio Irakitan? Esquece o cd, não se preocupa com isso agora não, deixa que depois passo na sua casa e levo a pasta inteira, pelo menos tiro o trabalho de você ficar procurando os cds que eu quero. Nossa, sabia que você é muito gente boa! Te adoro! Ah, como eu sou esquecida, amanhã vou estar super ocupada, seria muito trabalho se você ficasse olhando a Clarinha pra mim enquanto resolvo um probleminha? Muuuuuuito obrigada, tá! Que Deus te pague. Ih, só mais uma coisinha, você tem açúcar?
Ouça em alto e bom som: Afroman - Because I Got High
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segunda-feira, setembro 27, 2004
Postado por Elisandro Borges
Na na na na, na na na, nao nao... O quê ce tá fazendo? Tô cantando, por quê, não pode mais cantar nesse buteco? Hein? Buteco? Não é boteco? Num interessa rapá, isso aqui é a casa da sogra. Então, é butecu mesmu, qual o pobrema? Nenhum, só tô perguntando. Mas, que música é essa? Ciranda-cirandinha? Que ciranda-cinrandinha! Me respeita!É rushi do Cula Chaquer, essa que tá tocando no blogui. Por falar em ciranda, você já levou a Giôgiô no parquinho hoje? Peraí, ce tá falando com quem afinal, não tem travessão nessa porra! Ô cabeção, e por acaso tem mais alguém por aqui? Tem, cê acha que ninguém lê essas baboseiras? Sei lá, só sei que a poupança bamerindus continua numa boa. Não existe mais bamerindus não fi. Ah, tô nem aí, qué sabê, vai ver se eu tô na esquina de cueca! Na na na na, na na na, nao nao...
Ouça em alto e bom som: Kula Shaker - Hush
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sábado, setembro 25, 2004
Postado por Elisandro Borges
Tenho dormido de mal jeito esses últimos dias. Mal jeito que me deixou assim, imóvel. Talvez mal jeito seja a forma com que faço as coisas, talvez mal jeito seja o que sai da minha boca. Mal jeito seria alimentar todos esses mitos que nunca existiram, que blefam e tiram o sono, o nosso sono. Não dê ouvidos aos mitos, eles querem roubar a sua sanidade, querem sugar a sua paz. Me abraça agora. Deixa a verdade chegar, se esse fantasma for um mito, não vai voltar a te assustar. Independente de qual for o resultado, quero ser o seu homem, vem, encosta no meu peito. Tá ouvindo essa batida? É por você. Deixa ser o que tiver que ser, eu continuo aqui. Consegue ouvir a força que pulsa? É por você. Confie em mim. Estou aqui, meu amor, não vou a lugar nenhum sem você. Só não sei o que vou fazer com esse girassol, não tem nada a ver, agora já Elvis, mas até que ficou colorido, né?
Ouça em alto e bom som: Pj Harvey - Down By The Water
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terça-feira, setembro 14, 2004
Postado por Elisandro Borges
Vontade de descansar, vontade de respirar, vontade de apagar a mente, vontade de ser nulo, vontade de estar em um mundo mais leve, vontade de inexistência, vontade de alívio, vontade de tranqüilidade, vontade de viver os sonhos em vez de simplesmente sonhá-los. Não há mais fuga. Já fugi de todos, já fugi de mim. Não há mais pra onde ir. Não há mais. Não consigo enxergar, onde estão vocês? Não sei mais onde estou, não sei o que faço. Sinto muita dor por dentro. Sinto muita dor. Eu choro, mas pelo meu rosto nada escorre. Jamais me imaginei assim, sem forças. Talvez eu durma, talvez eu esqueça. São hipóteses. São apenas hipóteses.
Ouça em alto e bom som: Snow Patrol - Run
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quinta-feira, setembro 09, 2004
Postado por Elisandro Borges
Ele colecionava pedaços de papel. Rasuras em pedaços soltos espalhados em sua pasta. O seu patrimônio estava todo em folhas de papel. Sua coleção de pensamentos próprios e alheios era o combustível que o mantia vivo. Esses papéis quando abertos, alimentavam todos, quem quer que por ali tenha passado os olhos. Homem em pedaços de papel, ali ele ficou, imortal, intacto. Sua alma um dia não estará mais conectada neste plano, mas os papéis, esses, amassados ou devidamente encapados em milhares de tiragens, passarão por novas décadas, chegarão até outras pessoas, com propósitos particulares, e sem dúvida alguma, terão mudado algo, de alguma forma, em algum lugar onde os afins acabam se encontrando.
Ouça em alto e bom som: Collective Soul - The World I Know
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terça-feira, setembro 07, 2004
Postado por Elisandro Borges
Assim as coisas podem ser ditas. Não há nada a esconder, talvez não haja motivos pra atitudes tão regradas. Seja ela o que for, o dia foi longo, essa moça precisa de uma distração. Anda tentando fugir de si mesma, tentando organizar a bagunça em sua cabeça atordoada. Respire, sinta, prove... Não sobrou nada além de pensamentos embaçados. Está vazio lá fora, é feriado. Agora o que ela vê é o seu reflexo em uma garrafa de vinho, dessas que mantém o sangue fluindo pelas veias. Uma garrafa de vinho pra dar a ela um pouco de alívio. Isso, uma garrafa de vinho – é tudo que ela precisa nesse minuto. Mais um dia se foi, mais um dia, e essa é a medida certa. Acredite ou não, mais um dia se foi. Mais uma garrafa, só mais uma garrafa de vinho.
Ouça em alto e bom som: The Devlins - Reckless
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domingo, setembro 05, 2004
Postado por Elisandro Borges
Não me falem de barreiras, nem me contem histórias tristes. Não me assustem. Não me digam que o futuro é incerto. Não me falem de contradições, muito menos de realidade. Não me falem de miséria. Não me roubem a fantasia, não me tirem a redoma que criei durante esses anos. Não tentem fazer eu enxergar pelos seus olhos, me deixem assim. Não se preocupem, apenas torçam por mim, pois torcerei por vocês. Ninguém precisa aceitar meus ideais, não quero convencer os nossos moralistas, nem tampouco apontar quem está certo ou errado, quero apenas viver o que tenho pra viver.
Não pensem que abandonei o barco, esqueçam, não pensem nisso. Contem com o meu amor, mas não o vinculem ao capitalismo desse mundo. Não esperem que eu possa ser o maior exemplo da família, não esperem que eu possa agir como um ser humano completamente normal e sensato. Sensatez é a última das virtudes que vocês um dia poderão esperar de mim. Não sigam os meus passos e nem tentem fazer por mim o que sozinho não consegui.
Lutem por si mesmos, eu vou ficar bem. Se alguém estiver perdido, eu também estarei me procurando. Perdoem-me por não ser aquele herói que vocês gostariam que eu fosse. Perdoem-me por eu não poder ser tudo isso, me perdoem por ter pensado apenas em mim.
Ouça em alto e bom som: Live - T.B.D
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quarta-feira, setembro 01, 2004
Postado por Elisandro Borges
Vejo pessoas falando de ilusão. Elas temem a ilusão. E a grande incoerência disso tudo é que nós somos a própria ilusão. A vida é uma ilusão. O dinheiro é uma ilusão. A fome é uma ilusão, a morte é uma ilusão. Amar é ilusão, lutar é ilusão. Perder ou ganhar será ilusão. Teremos ilusão entre o céu e o inferno, entre a dor e o alívio. Ilusões - elas interagem entre si. Na felicidade ou na depressão, teremos ilusão. Mais uma vez, em nosso íntimo, temos forças que confundem-se entre o bem e o mal. O homem e suas esperanças são nada mais que ilusões. Ilusões de um lugar que não lhe pertence. O homem e suas cartilhas do passado com crenças cegas de subserviência. Ao me pedirem pra sonhar com os pés no chão, me resta dizer que o chão onde piso agora, é de pura ilusão, e se um dia esse chão me faltar, eu cairei... Cairei em um outro mundo, de novas histórias, e assim sendo, de outras novas ilusões.
Ouça em alto e bom som: Massive Attack - Teardrop
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quarta-feira, agosto 25, 2004
Postado por Elisandro Borges
Hoje. Só por hoje não quero arrancar de mim um sorriso como quem extrai um dente sem anestesia. Assim eu não preciso olhar pra ninguém e sem intervalos eu me calo, não preciso de respostas. Não sinto a necessidade de questionar Deus ou quaisquer que sejam essas inquietações. Só não sou capaz de trocar gentilezas quando essas estão ausentes por aqui. Fica o que tiver de ficar. Eu estou saindo e quero dizer obrigado. Que essa seja a última palavra. Nossa, não entendi nada do que eu quis dizer. Mas pelo menos vou poder postar a música. Êta nóis!!!! Olha só esse som do Cake, os caras são muito engraçados e essa música é ótima pra tirar a remela do olho. Sei lá o que eu quis dizer com isso...
Ouça em alto e bom som:Cake - Jolene
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quarta-feira, agosto 18, 2004
Postado por Elisandro Borges
Não importa quão longe.
Amor que alimenta o fluxo de um músculo.
Sempre inconsciente de suas batidas involuntárias.
Não entende nada, mas precisa bater. E assim bate.
São voragens de nossas origens.
Origens de dezembro, origens do fogo.
Músculo que sangra por dentro. E assim bate.
Sangue que corre na intimidade dessa pele paquiderme.
Pele que ainda expõe o frio que restou de outras temporadas.
Frio agora externo e superficial que aqui nada mais atinge.
Nada. Nada mais atinge o turbilhão que arde por dentro.
Esse turbilhão que arde por alguém.
Esse turbilhão... Que arde por ela.
Ouça em alto e bom som:
Fiona Apple - On The Bound
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segunda-feira, agosto 09, 2004
Postado por Elisandro Borges
O barraco está armado! Ou será a barraca? Não importa. Deixem os moleques remelentos comerem barro, deixem as velhas virgens viverem em paz com seus brinquedinhos bulinantes. Todos têm o direito de serem doidos e esculhambar uma hora. Mas vem cá, quem é que sabe o hino nacional de cor? A primeira parte até que dá pra enrolar, mas pra evitar o vexame da segunda, eu já fico calado desde o início, pelo menos posso fingir que o silêncio é o respeito mor. Eu quero é esculachar. Quebremos as regras e os braços de quem se atrever a nos podar. Futilidades à parte, revoluções programadas, estaremos aqui. Gritem, saiam dos cantos mofados (olha quem fala...). A lei universal será recriada. Procriem idéias soltas e verbalizem-se! Destravem as portas, soltem os cachorros e joguem fora todo o lixo que estava acumulando em seus aposentos!
Ouça em alto e bom som:
Papa Roach - Getting Away With Murder
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quarta-feira, agosto 04, 2004
Postado por Elisandro Borges
Era possível ver a própria imagem refletida na água. Chegou mais perto e então viu. Mais uma vez estava do outro lado. Agora não havia mais como discernir qual dos lados era real. Perdia-se nas ondas que tremulavam aquele reflexo. Ali ficou por muito tempo. A intensidade das ondas envolvia sem pressa o seu antro interno. O sopro do vento agitava a superfície, e novas ondas se formavam. Intro, disperso, leve, vago e nulo. Seu pensamento era força que anestesiava o medo e reacendia seus instintos. Livre por um instante. O vento continuava a soprar em ocasiões aleatórias, levando junto os brados contidos em dias de dúvidas. Horas impróprias. Horas em que deveria ter gritado, horas em que deveria ter visto, horas em que não deveria ter vacilado. O vento leva, o calor derrete e o sol sela a boca sequiosa. A mesma água que lhe devolve a imagem, assim lhe restitui o viço. De volta, a vida, num espiral de ciclos contínuos...
Ouça em alto e bom som:
Radiohead - High and Dry
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segunda-feira, agosto 02, 2004
Postado por Elisandro Borges
Crescer, sair da inércia. O que significa segurança, ou certeza? Estabilidade? Estar satisfeito ou sempre buscando? Onde está a medida? Equilíbrio? Misturando todas as sensações e expectativas, fazendo de todos os dias um motivo de impulso, de desejo. Desejo de respirar ares melhores. O melhor, sempre atrás do melhor. Mas então onde mora a satisfação, se ficamos praticamente a vida inteira tentando alcançar algo que ainda não temos? Ter, ter, ter, possuir, até quando? Eu quero saber. Se eu pudesse simplesmente ser e não precisar ter, tudo seria diferente. Tudo. Ter um lugar ao sol, ter... Temos o que somos, não somos o que temos.
Ouça em alto e bom som:
Massive Attack & Tricky - Karmacoma
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quinta-feira, julho 29, 2004
Postado por Elisandro Borges
Você está pegando chuva mais uma vez. O que te deu na cabeça pra ficar sentado na porta de casa se molhando todo? Quem te ensinou a beber água da chuva? Quem te ensinou a conversar sozinho? O que te faz pensar tanto e olhar para o nada como se tudo a sua frente fosse transparente? Você desligou, simplesmente desligou. Volta aqui, aonde você vai? Sei que as coisas que rondam seus pensamentos são só pedaços. Por onde andou deixando esses pedaços?
Ainda chove forte, e sei que chove aí dentro também. Você não pode mais evitar as águas, elas estão transbordando agora. Os seus olhos não vão mais segurar esse peso. Esse nariz escorrendo não é de gripe e a voz engasgada por fim pede calmaria. Ela fica em silêncio por fora e imóvel por dentro. Sei que não precisa chamar a atenção de ninguém e quando alguém percebe, você disfarça, distancia. Você quis evitar as pessoas, quis evitar suas fraquezas. Mas são essas fraquezas os seus maiores moldes. Olhe só pra você e pare de chorar como criança que tropeçou no cadarço daquele tênis desbotado. Você precisa se acostumar a amarrar seus cadarços por conta própria, agora é praticamente só você por essas bandas.
Entenda, seus limites têm um espaço, limites que travam sua visão. Abra bem a pupila e deixe a luz entrar. Perceba que existem vozes de pessoas reais do lado de fora. Perceba. Simplesmente comece por perceber que pessoas precisam de atenção, e que elas uma hora sentirão falta disso. Comece a enxergar que você não é o único e que seu lado ególatra pode te isolar de novas caras ao redor. Eu sei que sua cabeça está explodindo e que a pressão parece massacrar sua razão. Mas vai, encontre o seu abrigo. Levanta esse astral, escreva uma carta pra você e dê um dia de descanso para suas autocobranças. Enquanto essa chuva não passa, faça um chá quente... Descanse um pouco e cuide bem de você.
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quarta-feira, julho 28, 2004
Postado por Elisandro Borges
Escrever em abstrato. Escrever sobre abstrato. Quero esquecer as regras que me prendem as idéias. Já pensei em abandonar esse mundo de imaginações, mas notei que ele me mantém respirando. É assim que respiro, com a imaginação. É tudo uma viagem, mas uma viagem que ainda assim existe. Não é delírio da minha parte, são sonhos. Alguns bem definidos, outros que não consigo me lembrar. Os bem definidos, carrego todos os minutos comigo. Aos poucos, sempre aos poucos. Os sonhos estão vindo aos poucos. Estou vendo coisas boas pela frente. Eu sinto, eu sinto. Algo me diz isso. Agora, estou sonhando de novo. Vou montar esse sonho. Montar ele de verdade. Já estou encaixando as peças, e não faço isso sozinho. Já está tudo desenhado. Tudo. E como tudo é relativo, detalhes ficarão a acrescentar...
Ouça em alto e bom som:
Maroon 5 - This Love
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sábado, julho 24, 2004
Postado por Elisandro Borges
Dor. Ela quase explodiu meu cérebro. Vírus: Nile, ou West Nile. Uma semana lutando contra esse bicho. Uma semana, ainda estou meio mole. Pensei que não ia agüentar a dor. Não tenho muito o que dizer ultimamente. É só uma fase. Só uma fase, vai passar. O que tenho realmente a fazer é pedir desculpas a todos que vieram com carinho aqui, comentaram e não receberam nenhum sinal de vida meu. Já estou dando um jeito de conseguir uma folga por semana, aí vou ter um dia todo pra visitar cada um. Ah, o piano dessa música é diiiiiiimais!
Ouça em alto e bom som:
Coldplay - Trouble
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domingo, julho 04, 2004
Postado por Elisandro Borges
Metade de um ano. Metade de um bolo, metade de uma época. Minhas metades que não se acabam. Metade que eu nunca dividi, metade inteira. Duas metades. Duas metáforas. Tire-me de volta o que te leva. Somos só metades. Ficou em partes, duas metades. O seu colo que encaixa em metades. Metade eu abraço. Metade eu sinto. Essa metade deixada nas entrelinhas. Sua imagem de metade separa-se do que é alheio ao nosso vínculo.Estou dentro do vazio que te contempla. Um gosto de metade. Embrulho em desejos de calor entregue a uma metade. Estende-se a busca de retratos em cortes vagos e incompletos. Espaço, vírgulas e reticências... Sonhei com duas metades. Uma era você e a outra... Pelo que me lembro, Era só a metade que te faltava.
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