terça-feira, novembro 30, 2004

Leve

Postado por Elisandro Borges


Leve minhas dúvidas, leve o meu orgulho, a indisciplina que me desvirtua. Leve minha impaciência, minha ansiosidade, o egoísmo que me isola. Leve tudo que me traz o atraso, leve a preguiça que se arrasta por esses cantos. Leve a raiva, a estupidez, acabe com essa arrogância que me consome. Leve embora, e que os desentendimentos se apaguem em faltas de memórias.
Leve, por nada mais,
Leve.

Ouça em alto e bom som:
P.O.D. - Alive

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domingo, novembro 28, 2004

Dores do mundo

Postado por Elisandro Borges


Quando você chora traz alívio, desabafa as dores do mundo. As dores não são suas, são dores do mundo e essas já foram mencionadas por outros. O que te aperta no mais íntimo, são dores do mundo. Cabem perfeitamente no vazio, pois é vazio sem fim em buscas desordenadas. Fica no ar de poesias mudas e desconexas. Você descobriu o amor, e apesar dele parecer não curar a sua dor, continua soprando a ferida. Você encontra no amor uma salvação. Que te traz prazer, que te faz desviar a atenção dos bombardeios. E esse amor te amortece a queda, porque é preciso levantar. Depois de tantas turbulências, você ainda consegue amar e aos poucos repõe o equilíbrio. Andam testando a sua fé por lhe deixarem tão desolada. Andam colocando em prova sua força sob pressões descabidas. E você agüenta. Porque é forte o bastante. Porque sabe amar. Amanhã é outro dia, são recomeços diferentes. Te desejo um sono reparador. Te desejo paz. E não consigo esconder o quanto te amo, assim, perdidamente.

Ouça em alto e bom som:
Maroon 5 - Rag Doll

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terça-feira, novembro 23, 2004


Direi palavras impronunciáveis. Daquelas que quando escritas no papel você não consegue nem ao menos passar os olhos, pois acaba se perdendo e tropeçando nas letras. Direi também o que os ouvidos deles querem ouvir. Tanto faz pra mim dessa vez, desde que eu me livre dos doadores de palpites não solicitados ou dos consultores-volutariamente-indesejáveis-de-vidas-alheias. O que mais pega nessa história toda é que, tirando o amor que eu sempre quis na vida e que agora ostento a sorte de vivê-lo com a Carol, tudo o que mais tenho tentado conquistar em minha hulmide e tão suada vida, é um pouquinho mais de paz-de-espírito. Que não tentem controlar a minha vida pessoal, pois até onde me concerne o bom senso, a palavra pessoal traz a idéia de privacidade, de limite, de área restrita.

O meu único problema é que demoro demais a digerir o que me é expelido ouvido a dentro. Demoro também a reagir quando intrusos invadem minha propriedade e acabo fazendo o que eles querem: dou satisfação demais e detalhes completamente desnecessários que só competem a mim. Espero que da próxima vez eu não desperdice tanto tempo assim tentando dar explicações sobre o que faço do meu dinheiro, sobre a marca da cueca que uso ou se ando pelado com uma melancia na cabeça em pleno McDonald's. Chega dos cães nojentos que ladram em meu quintal. Que visitem outras vizinhanças bem remotas, antes que seja tarde demais, antes que eu possa sequer ter a oportunidade de descobrir o meu lado mais obscuro: o psicopata que degola cabeças de consultores-voluntariamente-indesejáveis-de-vidas-alheias.

Ouça em alto e bom som:
Falling up - Broken Heart

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segunda-feira, novembro 22, 2004

Parem as ruas

Postado por Elisandro Borges


Por todos os lados, por todos os vínculos.
Qualquer coisa que faça unir duas partes, tatos e gostos.
Sentir é a primeira e última ordem.
E o lugar é esse, sopra de leve as folhas do nosso chão.
Imagine o que são dois,
Mora aqui dentro a vontade que te traz pra perto.
Faça lembrar as boas novas, fica então tudo o que vale.
A corrida até a porta do metrô foi pra te encontrar a qualquer custo,
E o frio até que passava por perto,
Mas nada podia sugar o calor que espalhava em meu peito.
Parem as ruas. Por todos os lados, por todos os vínculos.

Ouça em alto e bom som:
Dave Matthews Band - I'll back you up

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quinta-feira, novembro 18, 2004

Uma coisa de cada vez

Postado por Elisandro Borges


Ainda me lembro que por mais confuso que eu possa ter sido um dia, uma hora acabei me encontrando. Confuso no sentido de que todos os medos que rondaram por aqui, eram em grande parte só imagens distorcidas da realidade em que eu acreditava viver. E a origem desse meu medo específico, partia quase sempre do apego, essa sensação inevitável de dependência emocional. Queria eu ser completamente imune a qualquer estímulo avesso à minha vontade. Queria ter total controle sobre o que vou sentir nos próximos minutos, nas próximas horas ou nas supostas décadas que estarão por vir, no entanto isso é quase que humanamente impossível. E será que tenho sido humano o bastante? A resposta é sim, porque não vou ficar lamentando em auto-punições. Uma coisa de cada vez, que venha a próxima fase então.

Ouça em alto e bom som: Sugarcult - Counting Stars

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sexta-feira, novembro 12, 2004

Em consideração às minhas fraquezas

Postado por Elisandro Borges


Não percebi. Andei preocupado demais nos últimos dias pra perceber que tudo continua. O fim da dor é o começo do alívio, e se olho um pouco mais além, enxergo, é verdade. Por tudo que tenho procurado, por tudo que tenho feito ou deixado de fazer, fica aquele cheiro de pós-chuva, cheiro de vida nova. Um dia me cobrei todos os resultados imediatos, soquei a própria imagem no espelho embaçado, tive essas viagens onde não existe conexão ou possível coerência. E o que importa? O que importa é que vou continuar tentando não pensar muito em suposições. O fluxo tem que seguir fluente assim como é esperado. Tem certas coisas que não mudam, e o meu limite é apenas uma dessas fronteiras. Em consideração às minhas fraquezas, vou deitar a cabeça no travesseiro, virar para o lado e fechar os olhos mais uma vez.

Ouça em alto e bom som: Cold - Suffocate

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quarta-feira, novembro 10, 2004

Equilíbrio

Postado por Elisandro Borges


Comece. Se não conseguir um pouco de paz nesse mundo louco, vai ter que aprender a criar o seu próprio espaço aí dentro. Espaço reservado ao silêncio. Que esse silêncio seja seu por inteiro, que esse segundo seja seu sem interrupções. Sei que você tem que enfrentar todos os desafios que atropelam o tempo e chegam sem aviso, sei que ainda falta muita coisa pela frente e que eles matam um leão a cada dia lá fora, ainda assim, faça o que for, mas encontre o seu equilíbrio.

Ouça em alto e bom som: Papa Roach - Scars

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segunda-feira, novembro 08, 2004

Por tempo indeterminado

Postado por Elisandro Borges


Eu preciso de sono, mas ele sempre acaba. Preciso dormir por tempo indeterminado. Preciso esquecer que tenho contas a pagar. Tenho que acordar em outro lugar, um lugar onde eu não precise de dinheiro pra viver, um lugar onde eu me alimente só de amor. Preciso acordar e tentar acreditar que não existe competição, que tem espaço pra todos e que ninguém sofre por motivo algum. Estou ficando cansado, não quero lutar a vida inteira. O amor é a única coisa que ainda me mantem vivo, mas não consigo ter motivação pra quase nada.

Talvez eu esteja no trabalho errado, fazendo a coisa errada, pra ser sincero, eu é que tenho andado torto, não tenho regras e tampouco um vestígio de disciplina. Minha vida é completamente aleatória, uma bagunça assim como o quarto em que me escondo. Estou perdido, não sei no que isso vai dar, não sei o que faço. Nunca me imaginei assim. Aliás, criei expectativas demais sobre mim durante esses anos todos e acabei não atingindo nem metade delas no tempo em que previ. Sempre corri atrás do que a gente chama de sucesso, prosperidade ou qualquer outro ideal afim. Sempre quis ser o melhor em pelo menos alguma coisa, só que simplesmente não sei mais o que fazer. Estou voltando. Dessa vez estou voltando pro meu país.

Ouça em alto e bom som:
Eels - I need some sleep (Shrek 2)

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