terça-feira, novembro 01, 2005

Estuprar o seu pudor

Postado por Elisandro Borges

A vida tá passando rápido demais, não é? Te vejo amanhã, depois que tudo passar e ainda vou encontrar sua cara amassada me olhando fundo. Te vejo amanhã com aquele gosto amargo cheio de sede e com vontade de alguém sem saber quem, mas ainda com a vontade de te ver, ver quem é você. Vontade de qualquer coisa que seja você, vontade de entrar em você, de estuprar o seu pudor! De pegar onde você não deixa, assim, em público mesmo, foda-se! Te apertar contra a parede e não deixar outra alternativa. Vontade... Mas você não está aqui, só escrevo porque lembro. Quem é você? Eu não sei. A gente mal sabe da gente.

Ouça em alto e bom som: Placebo - Special k

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quarta-feira, outubro 26, 2005

Puta querida

Postado por Elisandro Borges

Querida puta,

É com muito carinho que venho lhe escrever estas palavras. Muito obrigado pelo colo, obrigado pelas aulas de filosofia, pelos porres e por todo o companheirismo. Obrigado por me tirar a virgindade aos tenros nove aninhos e me ensinar que o ponto G é pura bobagem, mentira das braba. Obrigado por me convencer a não me apaixonar assim tão à queima-roupa, isso aprendi ou pelo menos acho que aprendi com você, querida puta. O que acontece se eu me apaixonar, puta querida? Obrigado por me mostrar que toda mulher, no fundo é carente e precisa de palavras gentis, jantares em bons restaurantes, cinema, papo agradável e boa companhia, e que jamais posso chamá-las de puta, ainda que assim sejam na cama, e claro, é sempre muito bom ter uma puta safada na cama e uma mocinha segurando nossas mãos lá fora, e que elas sejam a mesma pessoa de preferência. Puta, eu sou seu fã! Vamos passear por aí, ler bons livros e conversar sobre relacionamento, o que acha? Mas por hoje é só. Desejo-lhe do fundo do meu calção, muita putaria, alegria e sabedoria! Tá vendo, como rima? Um beijo bem michê pra você, queridona!

Ouça em alto e bom som:
Jem - Missing You

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terça-feira, outubro 25, 2005

Folhas ao vento

Postado por Elisandro Borges

Ela olha para o chão, amarra seu cadarço e continua. Olha pra rua e decide atravessar enquanto todos os carros passam, e assim ela faz, atravessa em meio a buzinas e pequenos arranhões. Chega em casa e toma todas as possíveis pílulas do armário que ali estavam escondidas de qualquer imprudência e deita à espera de um sono que a levasse pra outro lugar. Ela quer a morte, mas a morte não lhe quer. O mundo deixou de ter sentido no dia em que percebeu que era só uma criança num corpo de mulher. E as pessoas ao seu redor eram surdas, cegas e mal podiam sentir seu tormento mudo. Ela queria morrer, mas tinha medo da dor, do amor, medo de acordar sozinha, medo de ser um erro, medo de ter que se ver no espelho sem maquiagem, medo de mulher, medo do abandono. Ela se levanta e chega até a janela. Lá embaixo só folhas de outono deslizando ao vento, nada mais além do vento e das folhas - vazio ensurdecedor.

Ouça em alto e bom som:
311 - Beautiful Disaster

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sábado, outubro 22, 2005

Só se for com você

Postado por Elisandro Borges

Vamos brincar de cuidar um do outro? Vamos. E como é que se brinca disso? Eu não sei, isso é coisa de gente grande. E quando você crescer, vai casar comigo? É claro que sim. A gente só não casa agora porque não pode, a gente só pode brincar, casar é pra depois. A gente descobre o amor e é tudo o que importa no final, ou no início, ou no meio. Foi minha mãe que disse. E o seu pai vai deixar? Vai sim, mas ele disse que tem que tem que ser com você, só se for com você. A gente vai ter filhos? Lógico que vai! Por quê? Ah, só pra saber, porque deve levar um tempão pra encomendar um, num é? Sei não, e outra, não acredito em cegonha, não. Então de onde é que a gente veio?

Ouça em alto e bom som:
The Devlins - Where are you tonight

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sexta-feira, outubro 21, 2005

O último pingo

Postado por Elisandro Borges

Não adianta, o útimo pingo é sempre da Cueca!

Ouça em alto e bom som:
Dresden Dolls - Missed Me

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segunda-feira, outubro 17, 2005

Só quando tudo acabar

Postado por Elisandro Borges

Quero ficar o dia e a noite inteira sem dormir. Porque tudo passa muito rápido e não quero mais perder nenhum segundo. O fim de semana chega e passa com uma pressa de deixar qualquer um sem entender. Essa pressa do fim de semana é a mesma pressa que a vida passa. E as pessoas se casam, têm filhos, se mudam pra outras cidades e às vezes mudam pra dentro de si mesmas e por lá ficam. O mesmo tio que você trocou aquela idéia ontem, pode nunca mais te ver de novo.

E a gente dorme. E acorda. Quando vê, muita coisa se transformou, sei lá, aquele amigo seu fodão que comia todas, resolve inverter os pólos, ou aquela vizinha fã do Judas Priest que do nada aparece pregando A Palavra e arrastando fiés pra mais nova igreja do bairro. Ou você mesmo, cabeludo um dia e careca no outro, porque os cabelos caíram.

Certezas, distâncias, dúvidas, farras, noites, bares... E claro, um cinema pra sonhar. E depois que você sonha, acorda de novo e vai. Continua, toma aquele café da manhã com a cara toda amassada, olha pra fora e segue. Mais um dia. Não quero dormir. Quero ver o dia amanhecer, quero ver o pôr do sol. Quero ver minhas sobrinhas crescerem, de repente até ter os meus próprios filhos. Não quero mais dormir. Pelo menos por enquanto. Dormir? Só quando tudo acabar.

Ouça em alto e bom som:
Interpol - Take you on a cruise

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segunda-feira, outubro 10, 2005

Diários de Motocicleta

Postado por Elisandro Borges

Trecho do filme Diários de Motocicleta:
“Escutei os pés descalços na lama, e vi os rostos emaciados de fome. Meu coração era como um pêndulo entre ela e a rua. Não sei com que força me livrei de seus olhos, me safei de seus braços. Ela ficou, afogando sua dor em lágrimas, atrás da janela e da chuva”.

Ouça em alto e bom som:
My Chemical Romance - The Gost of You

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quarta-feira, outubro 05, 2005

Te faço outra vez

Postado por Elisandro Borges

Pausa. Nada por aqui agora. Nada mesmo. A não ser um monte de interrogação sem início ou fim. Muita coisa muda de lugar, de temperatura, de forma, de interesse, e não pára. Amanhã você pisa em terra firme, uma hora em ovos. É seguro e confortável quando o medo te esquece. Era tudo tinta fresca e você queria fazer arte com esponjas e mãos. E o cheiro de tinta nova te dava vontade de comer patê de atum, que engraçado, não conheço ninguém assim. E você não existe, porque fui eu quem criou tudo, e arrumou, derrubou, quebrou, colou de novo...

Uma personagem pra me fazer rir, gozar, sonhar, acreditar e tentar de novo. Uma personagem sutilmente dependente de mim e ao mesmo tempo completamente livre pra ser o que pudesse ser e até o que quisesse. Me lembro quando você se escondeu na sacada e sem querer se apoiou no vaso que sua tia trouxe de Bombarral e foi inevitável. Dessa vez não tinha mais onde se esconder.

Mas vieram outros vasos. E outros... e outros tantos. Consigo ouvir os estalos até hoje. Agora você é uma mulher. Vi você crescer comigo, e sempre onde o peito bate mais forte. A minha melhor personagem, porque nunca abandona ou se deixa esquecer. Você não é como elas que se ferem e nunca mais se curam de seus cortes. Você perdoa e entende, se diverte com as chatices dos homens comuns e me faz chorar porque a barriga dói de tanto rir, ou me deixa sem graça quando a lágrima vem com soluço. Você não existe nesse mundo, meu amor, não existe mesmo. Só eu posso te ver e te ter. Só eu. Com esponjas e mãos, eu te faço outra vez aqui dentro.

Ouça em alto e bom som: Radiohead - Talk Show Host

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domingo, outubro 02, 2005

Culhões

Postado por Elisandro Borges

Eu não bebo, não fumo, não trepo... E outra, eu não preciso mentir. Não assisto televisão, não saio nas ruas e nem xingo a banda Calypso. Sou um cara legal, gosto de pisar em poodle sem querer e depois pedir desculpa pra dona do bichinho. Não sou preconceituoso, não discrimino ninguém, sou amigo de bandidos, polícia, puta, celebridade, pastores, cantores, vigias de carro, presidente da república e da Derci Gonçalves também. Sou uma gracinha, não falo mal de nada e nem de ninguém, nem caio no deslize de cometer pecado algum, aliás, pecado uma ova. Acho religião um cocô que gruda na sola do pé, e é muito chato conversar de religião ou política. Mas como já disse, sou uma gracinha e acho que a religião e a política moram na mesma vizinhança. Gosto de todo mundo, gosto de todos os tipos de pessoas. Amo todos os seres do céu e da terra! Humanos ou umanos, inteligentes ou indiotas. E um dia desses ainda vou segurar meus culhões de mão cheia em praça pública e gritar: Diretas já! E se eu for a algum show de heavy-metal, quando a música parar quero ser a primeira voz a bradar: Toca Raú!

Ouça em alto e bom som: Travis - The Fear

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domingo, setembro 25, 2005

Sempre tão nosso

Postado por Elisandro Borges

Sentamos à noite lá no quintal de casa naquelas cadeiras que reclinam, assim olhando pro céu e pensando na vida. Aos 7 anos de idade poderia não ser tão sério pensar no futuro, ou no que seríamos quando grandes. O que tínhamos ali era o bastante, porque a gente sabia sonhar com muita facilidade e voar era tão fácil, bastava imaginar. E ríamos como nunca. O mundo sempre tão nosso, sempre tão bonito e sem manchas. Era o nosso mundo e isso era tudo o que importava. E ainda importa.

Ouça em alto e bom som: Barfly - Thoughts I had in mind

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terça-feira, setembro 20, 2005

Ininterrupto

Postado por Elisandro Borges

Ela saiu correndo assim deixando tudo cair sem olhar pra trás e a chuva não parava de molhar o seu corpo tomado de suor e misturado ao choro sem tempo de ligar os fatos ou racionalizar sentimentos ao fugir apenas e ao correr desesperadamente porque quis se salvar e gritou por tudo e sentiu a distância em seu peito ao ter que ser forte mais uma vez e ao mesmo tempo sorrir pensando no futuro e também lembrar do que era contrário à sua vontade quando quis por um instante esquecer que tudo era pra ser como tinha que ser.

Ouça em alto e bom som:
Snow Patrol - Somewhere a clock is ticking

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quarta-feira, setembro 14, 2005

Um pelo outro

Postado por Elisandro Borges

Respondemos um pelo outro. Respondemos parte à sociedade, parte à família. Pelos porres, pelas noites mal dormidas e incrivelmente bem vividas. Respondemos pelos nossos atos, pelas gafes, pelos desencontros, ciúmes e gastos. Respondemos pela ambigüidade dessa amizade onde o parâmetro é praticamente nulo, respondemos, sim, com perguntas prontas e previsíveis. Pelas conversas sérias sobre planos de negócios, pela mudança que está por vir e por todas as diferenças.

Respondemos pelo cd emprestado que ficou pegando poeira na gaveta, pela meia deixada no meio da sala, pela toalha de sempre molhada em cima da cama - e o que isso tem a ver? Sei lá - respondemos pela liberdade de se ter um nariz e poder dizer que é nosso, pela descoberta nua da intimidade a dois. Pela destruição no McDonalds depois do regime prometido e constantemente adiado. Somos responsáveis pela compreensão míope, é verdade, por um minuto de descuido desviamos um do outro e quase nos perdemos. Somos também responsáveis pela hipocrisia tão evitada teoricamente e praticada na despretensão do inconsciente, e se mesmo sabendo disso não admitirmos, seremos hipócritas por duas vezes ou mais. E o pior é que já fui. Seu hipócrita!


Somos responsáveis por tudo isso. Responsáveis por satisfações razoáveis que possam ao menos preencher parte do vazio temporário da curiosidade alheia e ainda ter a coragem de dizer que não devemos nada a ninguém - mas eu tento, eu juro que tento não dar satisfações ao mundo. Somos a estranheza de ser e a falta de regras bem ditadas. Somos cores básicas e músicas parecidas em nossos carros velhos, sujos e vermelhos. Plagiamos palavras carinhosas pra tratar um do outro e lutamos pra provar o respeito. Respondemos um pelo outro. Sim, respondemos. Um tanto quanto, um pelo outro.


Ouça em alto e bom som: Stereophonics - Mr. Writer

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domingo, agosto 21, 2005

As maiores de todas as boas ilusões

Postado por Elisandro Borges

São um monte de coisas, coisas que trazem os melhores pedaços, as maiores de todas as boas ilusões. Temos essas boas ilusões. É bom, sim, é bom viver das boas ilusões, elas sempre ajudam a viver melhor, percebi isso. Percebi que é perfeito tudo que possa reunir pessoas com interesses em comum. Mas também sei que as pessoas alheias ao nosso mundo também são de alguma valia. São tantos os jeitos de se gravar o que se importa, o que é bom... Nunca valeu à pena qualquer desentendimento ou troca de desamores. Engraçado, não sei por que, mas voltei a pensar sobre o amor. Jamais fui o cara de fazer amorzinho. Parece que trepar sempre foi muito mais interessante pra mim, mesmo sob o torpor de um amor recente. Nunca fiz amorzinho. Não me venha com pudores, até o word quis consertar o meu “trepar”. Veio me dizer que trepar é um ato de plebeísmo e que eu não deveria usar palavras de baixo calão em meus textos. Sem problemas, eu desconsidero a deixa, mas amorzinho, por favor, fazer amorzinho não. Tudo bem, já rasguei o verbo, mas essa não é a intenção. A intenção é entender as boas ilusões. A intenção é lavar a alma com a vida extraída de seu melhor ângulo, ainda que relativo ou divergente. Por isso temos os afins. As pessoas, coisas, gostos, costumes... Que bom. Sobram as escolhas, então.

Ouça em alto e bom som: Cowboy Junkies - Sweet Jane

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terça-feira, agosto 09, 2005

Descobri que a fidelidade é uma ficção. O sexo, sim, o sexo... O relacionamento entre duas pessoas é uma prisão possivelmente voluntária, é restrição, dedicação e confinamento mútuo com intenções de bem-estar. É uma arte torta, com tintas aleatórias à nossa disposição. Os tabus são as rédeas do nosso passado. Ah, os tabus... As opiniões são divergentes, mas às vezes esbarram na unanimidade. E unanimidade me lembra massa. A massa não costuma pensar, a massa geralmente acata o que já foi pensado.

Fidelidade? Qual? Os que desejam uma só pessoa, no fundo se reprimem, se reprimem em nome da boa imagem, em nome do suposto respeito. Acho que eu sempre fui esse passado, será que me resta alguma mudança? Talvez seja estranho amar alguém e comer todas as iguarias humanas que te fazem salivar, mas essa é uma realidade abafada por muitos. Don Juan faria, claro, como já foi citado por ai, correto? E isso parece prático agora, amar uma e comer todas... Aliás, amar é coisa rara, raríssima, diga-se de passagem. Esse é o perfil de muitos homens e de mulheres também, elas, justamente as mais corretas e metódicas, quem diria? Temos muito moralismo pra pouca atitude. Na verdade, muito falso moralismo regrado de mentiras gratuitas.

Todos querem diversão, querem muito mais, e isso também é vital. Outros falam de responsabilidade, planos, filhos e um teto pra guardar a cumplicidade... E no fim das contas, lá dentro todos são vazios e cada um sabe ou ao menos busca a melhor forma de preencher a pieguice do vazio. – Pause – Agora, por favor, seja qual for a situação, não me peçam pra freqüentar suas igrejas, gosto e admiro boas amizades, mas dispenso as igrejas, não me levem a mal. Menciono igrejas porque alguns acreditam muito em regras e acham que lá terão mais chances de encontrar a pessoa certa. Eu desconsidero esse pensamento. O óbvio, pelo contrário, é difícil de ser enxergado e engana muita gente. A proibição do prazer sem compromisso só incita a curiosidade. E a curiosidade proibida é apenas mais um prato cheio a ser degustado mais tarde. Não adianta proibir. O desejo, ainda que sob influências, é livre, e só quem o sente pode decidir o que quer pra si. – Play – Encontrar a pessoa certa... Certa pra qual propósito? Casamento? Trepadas casuais? Amizade? Companheirismo? Afinal, o que é certo então? Certo ou errado, é regra demais pra minha cabeça.

Ouça em alto e bom som: Muse - Uno

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terça-feira, julho 26, 2005

Hummm...

Postado por Elisandro Borges

Sonho de valsa e uma água gelada depois. Hummm...

Ouça em alto e bom som: Tracy Chappman - Give Me One Reason

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domingo, julho 24, 2005

A noite é um embrião

Postado por Elisandro Borges

“A noite é um embrião, ainda nem virou criança”. Então, pra quê tanta pressa? Não existe pressa hoje, porque o tempo está garantido e o domingo vai amortecer qualquer queda. Quanta vida, hein? O sol voltou, o ar é mais leve... E o céu foi feito pra ser visto também. Eu só precisava dizer isso. Quero brincar com as cores e pintar as paredes, mas não se esqueça do jornal, que é pra proteger o chão. A vida é nossa por direito. O nosso dicionário também aceita novos ajustes, as palavras, frases e livros, aceitam novas interpretações.

Vamos ler a nossa história. Vamos começar a escrever de novo, por um outro ângulo, pelo melhor ângulo, pelo ângulo no qual nosso peito bate mais forte. Ouve só quanta música! Ouve só! Quanta gente! Quanta gente! E todos observam as pessoas inéditas que por ali passam, todos observam calados, tímidos, curiosos, interessados. Há sempre o melhor lugar e a melhor hora, o papo mais agradável e o sono ininterrupto. Há os que têm férias e os que fazem férias, os que vivem e os que descansam. Os dias serão iguais se você quiser, só se você quiser e permitir. Traz aquela caneca de alumínio, não sei por que, mas com ela o gosto fica mais geladinho. Eu quero beber dessa água com todo o gosto, quero com todo o gosto.


Ouça em alto e bom som:
Red Hot Chilli Peppers - Don't Forget Me

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quarta-feira, julho 20, 2005

Dias perfeitos

Postado por Elisandro Borges

Se eu soubesse que o dia seguinte seria o melhor da minha vida, eu nem iria conseguir dormir de tanta ansiedade. Eu levaria também pra esse dia, uma máquina fotográfica pra congelar os melhores minutos e faria um mural imortal, pra ficar na história que uma vez eu tive um dia perfeito, e que dias perfeitos são possíveis na medida que nossos olhos podem ver. Faria então, com que todos os outros dias pudessem ao menos parecer com aquele modelo que guardei com tanto carinho, o modelo que sonhei e que me faria acreditar que sonhos se realizam, mesmo que meu peito falhasse e a dor visitasse.


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terça-feira, julho 19, 2005

Pirulêtas diagonais só pra surtar

Postado por Elisandro Borges

Quero fazer xixi, tô apertado. Êpa, homem não faz xixi, homem mija. Ah, vai catá coquim! Eu quero assistir o show de calouros do Silvio Santos. Sabia que o Chico Anísio já foi jogador reserva do botafogo e que ele era nadador e sempre chegava em segundo lugar? Nunca ganhou em primeiro, sempre em segundo. Ah, ele também é compositor musical. E o Raul? Quem, o Gil? Já tenho um monte de fitas do Raul Gil. É legal, auto-astral, genial, fundamental! Olê mulé rendera, olé mulé renda, tu me ensina a fazê renda, que eu te ensino a namorá.

Ouça em alto e bom som: Mulé Rendera

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quinta-feira, julho 14, 2005

Ai

Postado por Elisandro Borges

Olha só essa voz esmagada que quase não consegue falar. Ela tá esmagada porque o coração anda apertado. Ele anda apertado, espremido, à eminência de uma claustrofobia. Ai, meu peito, ai, meu peito. Eu pensava que emoção tinha inteligência. Será?

Ouça em alto e bom som: Coldplay - In My Place

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sábado, julho 09, 2005

Sala

Postado por Elisandro Borges

Agora faz frio. Que milagre frio em Goiânia. Acho que a velhice chegou cedo por aqui. Em vez de querer sair pra tomar um vinho, a vontade que dá é ficar em casa quieto, me abrigando do frio, ouvindo música, lendo o que for. Não sei o que foi feito da minha vontade de querer sair, de ver pessoas. Não tenho vontade de ver ninguém. E quando vou ao cinema, é assim, à minha própria companhia. Tenho feito sala pra mim mesmo e percebo que essa foi uma opção. Que frio. Que vento frio.

Ouça em alto e bom som: Dido - Honestly Ok

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