domingo, setembro 25, 2005

Sempre tão nosso

Postado por Elisandro Borges

Sentamos à noite lá no quintal de casa naquelas cadeiras que reclinam, assim olhando pro céu e pensando na vida. Aos 7 anos de idade poderia não ser tão sério pensar no futuro, ou no que seríamos quando grandes. O que tínhamos ali era o bastante, porque a gente sabia sonhar com muita facilidade e voar era tão fácil, bastava imaginar. E ríamos como nunca. O mundo sempre tão nosso, sempre tão bonito e sem manchas. Era o nosso mundo e isso era tudo o que importava. E ainda importa.

Ouça em alto e bom som: Barfly - Thoughts I had in mind

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terça-feira, setembro 20, 2005

Ininterrupto

Postado por Elisandro Borges

Ela saiu correndo assim deixando tudo cair sem olhar pra trás e a chuva não parava de molhar o seu corpo tomado de suor e misturado ao choro sem tempo de ligar os fatos ou racionalizar sentimentos ao fugir apenas e ao correr desesperadamente porque quis se salvar e gritou por tudo e sentiu a distância em seu peito ao ter que ser forte mais uma vez e ao mesmo tempo sorrir pensando no futuro e também lembrar do que era contrário à sua vontade quando quis por um instante esquecer que tudo era pra ser como tinha que ser.

Ouça em alto e bom som:
Snow Patrol - Somewhere a clock is ticking

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quarta-feira, setembro 14, 2005

Um pelo outro

Postado por Elisandro Borges

Respondemos um pelo outro. Respondemos parte à sociedade, parte à família. Pelos porres, pelas noites mal dormidas e incrivelmente bem vividas. Respondemos pelos nossos atos, pelas gafes, pelos desencontros, ciúmes e gastos. Respondemos pela ambigüidade dessa amizade onde o parâmetro é praticamente nulo, respondemos, sim, com perguntas prontas e previsíveis. Pelas conversas sérias sobre planos de negócios, pela mudança que está por vir e por todas as diferenças.

Respondemos pelo cd emprestado que ficou pegando poeira na gaveta, pela meia deixada no meio da sala, pela toalha de sempre molhada em cima da cama - e o que isso tem a ver? Sei lá - respondemos pela liberdade de se ter um nariz e poder dizer que é nosso, pela descoberta nua da intimidade a dois. Pela destruição no McDonalds depois do regime prometido e constantemente adiado. Somos responsáveis pela compreensão míope, é verdade, por um minuto de descuido desviamos um do outro e quase nos perdemos. Somos também responsáveis pela hipocrisia tão evitada teoricamente e praticada na despretensão do inconsciente, e se mesmo sabendo disso não admitirmos, seremos hipócritas por duas vezes ou mais. E o pior é que já fui. Seu hipócrita!


Somos responsáveis por tudo isso. Responsáveis por satisfações razoáveis que possam ao menos preencher parte do vazio temporário da curiosidade alheia e ainda ter a coragem de dizer que não devemos nada a ninguém - mas eu tento, eu juro que tento não dar satisfações ao mundo. Somos a estranheza de ser e a falta de regras bem ditadas. Somos cores básicas e músicas parecidas em nossos carros velhos, sujos e vermelhos. Plagiamos palavras carinhosas pra tratar um do outro e lutamos pra provar o respeito. Respondemos um pelo outro. Sim, respondemos. Um tanto quanto, um pelo outro.


Ouça em alto e bom som: Stereophonics - Mr. Writer

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