domingo, janeiro 30, 2005

De pernas pro ar

Postado por Elisandro Borges


Se eu pudesse escrever de pernas pro ar, seria a melhor forma de começar a expressar o meu atual estado de espírito. Trocadas as preocupações existenciais por alguns dias de paz perfeitamente acompanhado, tenho estado assim, vivendo, vivendo, vivendo... Mais feliz impossível. E tenho vivido. Ela está aqui. Sem mais palavras para o momento.

Ouça em alto e bom som: Stabbing Westward - Remember

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domingo, janeiro 16, 2005

Não me peçam presentes

Postado por Elisandro Borges


Pessoas querem presentes. Querem lembranças em souvenirs. O que faço ou falo, nem sempre é o bastante. Talvez porque presentes falem mais claramente pelos meus atos. Às vezes esqueço das pessoas em presentes. Muitas vezes não estou presente nesses presentes. Eles não significam nada, absolutamente nada pra mim. Eu perdi a noção. Não sei comprar pessoas, e percebi que geralmente agradar tem sido um ato que escorrega por entre meus dedos.

Não sei dar presentes. Tenho dificuldade em dizer feliz aniversário. Esqueço facilmente datas importantes. Decepcionar em demonstrações materiais é um dom que adquiri em gotas frias de tempos nublados. Peça-me um presente, e prepare-se para a decepção eminente. Diga que as pessoas ficarão magoadas se eu não touxer uma lembrança, que direi: "Vou ver o que posso fazer".

Só que a partir desse minuto, não digo mais, não sei, acordei assim, do nada, resolvi ser o que sou, resolvi fazer as coisas que realmente significam algo pra mim. Não é fácil expor sorrisos pálidos em seus músculos forçados na esperança de esticar um rosto vazio. Não esperem nada de mim. Contentem-se com o que posso ser e oferecer, deixem eu lutar por amizade, mas não me peçam presentes.

Ouça em alto e bom som: Iron & Wine - The Trapeze Swinger

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sábado, janeiro 15, 2005

Estalo

Postado por Elisandro Borges


Alguém esmagou o chão. Escutei os estalos. Um passo lento e pesado. Alguém esmagou o chão em estalos. Eu estava ali, bem perto e deitado, escrevendo apoiado contra a parede. E o chão se estalava. Era o passo que pesava. Não fosse a curiosidade do meu sono... Agora ele não ouve mais, a curiosidade dormiu. O quebrar de ossos silenciava. Não havia mais passos. A casa estava vazia, a casa, agora um acaso. E não há mais. Nada mais. Silêncio.

Ouça em alto e bom som: The Coors - Runaway

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domingo, janeiro 09, 2005

O pai dos girinos

Postado por Elisandro Borges


Já tenho 7 anos e sei que a gente um dia foi girino. A vida já começa na correria, desde que saí do saco do papai. É, eu perguntei pro meu pai de onde vim e ele me disse que saí do saco dele. Disse que eu sou um campeão, saí tão apressado que consegui chegar em primeiro lugar. Não satisfeito, continuei correndo depois de sair da barriga da mamãe, é claro, isso depois de aprender a andar. Levei cada tombo nesse negócio de aprender a andar! Ainda bem que sempre tinha uma mãozinha pra ajudar. Então quer dizer que somos parentes próximos do sapo? É claro que sim! O sapo antes de ser sapo, era girino e nadava nos rios assim como nadávamos lá na barriga quando eramos girino. Nossa, que legal! Vou perguntar pro papai como é que faz pro girino sair do saco. Tô louco pra criar os meus girininhos e ver eles crescendo lá na cisterna do quintal. Já pensou que demais quando o girino virar gente?

É como se eu pudesse plantar um monte de amigo. Espera até a Clarinha ficar sabendo da idéia. Quem sabe ela até pode querer criar os girinos comigo. Essa estória de cegonha é mesmo tudo conversa pra boi dormir. Não sei como os meninos lá do Caiçara ainda acreditam nisso! Nossa… ainda bem que meu pai sempre foi de contar as coisas pra mim. Num guento embromação. Sabe de uma coisa??? Acho que vou querer ser cientista quando crescer. Não desses que ficam criando nenem dentro do forno. Vou criar os meus próprios seres humanos usando o método antigo. Só não sei ainda como é que esse negócio funciona, mas vou caçar até achar. Ontem mesmo contei da minha idéia pra Clarinha e ela me disse que se eu quiser, a gente pode fazer a experiência lá no fundo do quintal dela. A mãe dela só não pode descobrir, porque odeia bagunça. Vocês vão ver, amanhã o mundo inteiro vai acabar me conhecendo como o pai dos girinos, e a Clarinha, com certeza, vai ser a mãe dessa minha criação.

Ouça em alto e bom som: Stone Temple Pilots - Interstate Love Song

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sábado, janeiro 08, 2005

Agora entendo

Postado por Elisandro Borges


Calei em todos os cantos da casa.
Sei que o silêncio te sufoca tanto.
Mas o que faço se não sei dizer.
Agora entendo o que você sentia.

Ouça em alto e bom som: Incubus - Warmth

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quarta-feira, janeiro 05, 2005

Sapatos de bolinha e cabelos verdes

Postado por Elisandro Borges


Seus sapatos de bolinha... Esses não combinam com seus cabelos verdes. Disseram que você anda trocando os passos e até mudou de identidade. Não me faz, não me faz pensar assim de você. As cores extravagantes te prendem a atenção. Seus olhos ainda precisam de estímulos pra enxergar o que é banal. Limpe suas lentes. Os pratos de porcelana que você encomendou para o natal eram delicados ao extremo. De um polo ao outro, os meses te declaram frases insensíveis. Não te querem tão frágil e vulnerável. Mas até homens cantam e choram também. Você viu! Você viu! Porém, confesso que sapatos de bolinha são estranhos por demais, ainda que sirvam bem em seus pés. E se eles lhe fazem assim tão feliz, então por que é que você ainda continua pisando em falso?

Ouça em alto e bom som: Soundgarden - Black Hole Sun

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segunda-feira, janeiro 03, 2005

Não fale a minha língua

Postado por Elisandro Borges


Alguém passou e me ouviu cantar alto. Espero que não fale a minha língua.

Ouça em alto e bom som: Dave Matthews Band - Crash

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domingo, janeiro 02, 2005

De todas as vontades preenchidas

Postado por Elisandro Borges


Você disse que eu poderia lavar as minhas roupas em sua casa se eu quisesse. Nossa, que sensação gostosa. Não que seja gostoso lavar roupa, mas é difícil achar algo que se compare ao sentir que faço parte de seus cuidados. Lavar roupa é um saco, mas em sua companhia acho que seria tudo. Falei "acho", pelo simples fato de lavar uma roupa, no entanto, não tenho dúvidas de que sua companhia é a melhor de todas as vontades preenchidas.

Ouça em alto e bom som: Muse - Feeling Good

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sábado, janeiro 01, 2005

Alérgico à realidade

Postado por Elisandro Borges



Esse garotinho é alérgico à realidade. Vejam só o que ele fez com a camiseta. Vestiu ela do avesso e agora sai espalhando por aí que as pessoas o enxergam da mesma forma, como um pedaço esdrúxulo de tecido em seus equivocados modos de usar. Ele me disse que todos usam a camiseta com a estampa pra fora, e que se a parte de dentro está exposta, a rejeição é inevitável. Mas ele não dá bola, decidiu se adaptar ao mundo de sua forma, pois a realidade é estranha às vezes, e é assim que ele quer viver por esses dias.

Ouça em alto e bom som: Stabbing Westward - I Remember

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